Empresas estrangeiras aumentaram a pressão sobre o governo brasileiro para que o leilão do Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará as cidades do Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo, seja adiado. Dúvidas sobre pontos cruciais do projeto e "informações de última hora" são algumas das justificativas apresentadas pelos empresários para tentar convencer o Palácio do Planalto a adiar a licitação, prevista para o início da segunda quinzena de dezembro.

Na semana passada, representantes do governo estiveram reunidos com empresários espanhóis, chineses, alemães, coreanos, franceses e japoneses para discutir alguns pontos do edital do trem-bala. Todos os empresários, com exceção dos coreanos, solicitaram formalmente o adiamento da licitação, segundo relato de um dos participantes à reportagem.

"Está chegando um monte de informação de última hora que provoca um trabalho imenso de refazer nossos modelos financeiros", explicou uma fonte que pediu anonimato. Uma das reclamações feitas durante o encontro foi a edição de uma medida provisória, estabelecendo o volume de recursos que o Banco Nacional de Desenvolvimento Eco­­nômico e Social (BNDES) poderá colocar no projeto, faltando apenas 21 dias para o prazo final da entrega das propostas dos interessados, na próxima segunda-feira.

"O governo brasileiro não pode querer fazer um leilão dessa magnitude divulgando informações de última hora, sem dar mais tempo para que as empresas possam internalizar todos esses dados", disse a fonte. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), responsável pela condução da licitação, tem se mostrado irredutível em relação aos pedidos dos empresários.

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