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Comércio exterior

Exportação de álcool dá lugar ao açúcar

Embarques do combustível caíram 99,8% no Paraná entre janeiro e março; as exportações de açúcar subiram mais de 70%

Canavial no Paraná: estado praticamente parou de exportar álcool | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Canavial no Paraná: estado praticamente parou de exportar álcool (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)
Os dilemas da cana |

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Os dilemas da cana

Entre janeiro e março, o Paraná exportou 174 toneladas de álcool, que renderam às usinas do estado exatos US$ 87.646. No mesmo período do ano passado, o estado havia embarcado mais de 75 mil toneladas do produto, ou quase US$ 39 milhões. Felizmente para os usineiros, essa queda de 99,8% nas receitas – atribuída à retração da demanda internacional – não se repetiu com o outro derivado básico dos canaviais, o açúcar.

Das dez categorias de produtos mais exportadas pelo Paraná, apenas três tiveram aumento nos embarques no primeiro trimestre – e a alta das vendas de açúcar, de 71%, foi a mais forte entre elas. As exportações do produto subiram de 299 mil para 476 mil toneladas e as receitas, de US$ 80 milhões para quase US$ 137 milhões, compensando com folga a derrocada do etanol. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do governo federal.

O avanço do açúcar paranaense foi mais vistoso que o da média nacional, cujo aumento ficou em 56%. Por outro lado, no caso do combustível essa comparação desfavorece o Paraná: a queda das exportações brasileiras de álcool foi menos catastrófica, de "apenas" 41%. Os usineiros dizem que não foi por culpa do embargo ao terminal de álcool de Paranaguá, uma vez que, mesmo quando o terminal não existia, o porto já respondia por algo entre 10% e 13% das exportações brasileiras de etanol. O uso do terminal, inaugurado em outubro de 2007, ficou suspenso pela Justiça entre novembro e abril.

A Alcopar, associação dos usineiros, diz que a razão da baixa está na queda do consumo externo. "Normalmente exportávamos 30% da produção de álcool, mas, com a crise, o mercado lá fora está muito inibido. Há casos até de importadores que estão preferindo pagar multa por rescisão de contrato do que levar o produto encomendado", conta Anísio Tormena, presidente da Alcopar. "Por outro lado, a demanda pelo açúcar se mantém. O que é um alívio, porque mais de 80% do açúcar fabricado vai para o exterior."

O aumento do apetite mundial por açúcar alivia, mas não elimina completamente os problemas do setor: na safra 2008/09, a maior parte da cana-de-açúcar (cerca de 60%) foi usada para a produção do "rejeitado" álcool, segundo a consultoria Datagro.

Índia e China

O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo. Entre os estados, o Paraná é o terceiro que mais vende ao exterior, atrás de São Paulo e Alagoas. Todos têm se beneficiado da safra menor em outros dois grandes produtores mundiais. Na China, terceiro da lista, a baixa foi de 12%; na Índia, segundo maior fabricante do mundo, a queda passou de 40%. Foram justamente esses dois países os responsáveis pelo "boom" das vendas de açúcar do Paraná. Juntos, não tinham comprado sequer um grão no ano passado; desta vez, importaram cerca de US$ 69 milhões.

"Em 2006, por causa da aposta no etanol, a cotação internacional do açúcar atingiu o maior nível desde 1981, cerca de 19 centavos de dólar por libra-peso. Isso estimulou a Índia a elevar sua produção e a se aventurar como exportadora. Mas, como o preço caiu para 8 centavos há um ano e meio, a Índia reduziu a produção e, de exportadora, virou grande importadora", explica a analista Daniele Siqueira, da AgRural. "O nível atual, de 13 ou 14 centavos de dólar, não está tão alto como em 2006, mas é um bom preço. E está assim por causa de um déficit. Pela primeira vez em quatro anos, a produção mundial será menor que o consumo."

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