Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Comércio exterior

Exportador poderá deixar 30% dos dólares no exterior

Brasília – O governo anunciou ontem algumas medidas para reduzir o custo dos exportadores, que começam a valer na próxima semana. A mais importante é a possibilidade de o exportador reter parte de seus dólares fora do país. O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidirá de zero a 100% quanto dos recursos poderão ser deixados no exterior. De acordo com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, inicialmente este porcentual será de 30%.

O governo tenta compensar os exportadores, que perderam competitividade no mercado internacional com a depreciação do dólar frente ao real. A possibilidade de deixar parte dos dólares no exterior reduzirá os custos das empresas. Hoje, os dólares têm de ser trazidos para o país num prazo de 210 dias. Mesmo que o exportador tenha dívidas no exterior, precisa trazer seus dólares para o mercado interno e, junto ao Banco Central, convertê-los para reais. Depois, fazer a operação inversa – usar reais para comprar dólares no BC e enviá-los para o exterior. Devido ao prazo estipulado na legislação, o exportador também não pode esperar o melhor momento para vender seus dólares.

No custo dos exportadores, há o custo burocrático, o custo do spread (diferença entre a cotação de venda e a de compra do dólar), e o custo da CPMF que incide sobre a operação. O total destes custos chega, segundo analistas, a 4% da transação do exportador e, em alguns casos, pode ultrapassar este patamar.

Esta medida representa o fim da cobertura cambial. Este procedimento foi criado há mais de 50 anos para evitar a escassez de dólares no país, necessários para o cumprimento de obrigações cambiais do governo. Contudo, esta preocupação já não existe mais. A oferta de dólares no mercado interno tem sido muito grande e não haveria mais a necessidade desta obrigação para os exportadores.

O governo também decidiu, segundo o ministro, isentar esses recursos que serão mantidos no exterior da cobrança de CPMF. O fato é que o fim da cobertura cambial reduzirá a arrecadação da Contribuição, que é cobrada quando o dólar entra e quando ele sai do país. Os números são divergentes. A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) estima que a perda de arrecadação chegaria a R$ 200 milhões. A Receita Federal avalia que este total ultrapassaria R$ 1 bilhão.

O ministro Mantega chegou a afirmar que queria "perda zero" na arrecadação. O problema é como cobrar a CPMF sobre uma movimentação financeira que ocorreu no exterior, não no Brasil, e, portanto, não tem um fato gerador de tributação. Os mais otimistas dizem que é um "equívoco" falar em perda com as medidas. Isso porque as exportações estão crescendo e a arrecadação da CPMF está aumentando.

Mantega anunciou, como a segunda medida do pacote cambial, a simplificação das operações de fechamento de câmbio, para que as operações de entrada e saída da moeda ocorram no mesmo dia, o que, atualmente, não é possível. A medida reduz o controle sobre os 70% dos recursos das exportações que terão que obrigatoriamente entrar no país.

O pacote também permite o registro no Banco Central de capitais estrangeiros já contabilizados pelas empresas, mas ainda não registrados no BC, com a regularização da situação. A quarta medida do pacote cambial é a permissão para que as compras realizadas em free-shops em territórios nacional sejam pagas em reais. Atualmente, essas compras só podem ser realizadas em moeda estrangeira.

Você pode se interessar

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.