O dólar registrou a maior alta diária ante o real em seis meses e meio nesta quinta-feira, reagindo a uma onda de aversão a risco global que minava commodities e bolsas de valores devido a preocupações com a saúde da recuperação econômica global.
A moeda norte-americana terminou a 1,625 real na venda, avanço de 1,25 por cento, na maior valorização diária desde 19 de outubro de 2010, quando a divisa ganhou 1,26 por cento. Foi a quarta sessão consecutiva de apreciação da moeda norte-americana.
No exterior, o dólar avançava 1,5 por cento frente a uma cesta de divisas, na cola da forte queda de 2 por cento do euro, após comentários do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, esfriarem expectativas de um aumento do juro básico na próxima reunião de política monetária.
"Está tendo uma forte realização nas commodities, e isso está aumentando bem a aversão a risco. Por isso a alta do dólar aqui", disse Moacir Marcos Júnior, operador de câmbio da Interbolsa do Brasil.
Temores relacionados à demanda e à força da retomada econômica mundial levavam investidores a um amplo movimento de embolso de lucros no complexo de matérias-primas, com o petróleo nos Estados Unidos desabando quase 9 por cento, abaixo dos 100 dólares por barril.
O índice Reuters-Jeferries CRB de commodities despencava 4,9 por cento e caminhava para a maior baixa percentual diária em dois anos. Ao mesmo tempo, as bolsas de valores em Nova York acentuavam a baixa no meio da tarde.
A notícia que azedou o humor dos investidores foi o crescimento em 43 mil no número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA na semana passada, totalizando 474 mil com ajuste sazonal, informou o Departamento de Trabalho. É o maior patamar desde meados de agosto de 2010.
"Quando o investidor se depara com um momento como esse de hoje, ele vai tentar evitar perdas, vai zerar posição... E a gente está vendo esse movimento aqui hoje", comentou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora de Câmbio, referindo-se a cobertura de posições vendidas em dólar no mercado de câmbio futuro por parte de investidores estrangeiros.
De acordo com Galhardo, os não-residentes devem ter dado continuidade nesta sessão à redução nas posições vendidas em dólar nos mercados de dólar futuro e cupom cambial (DDI).
Somente de terça para quarta-feira, segundo números mais atualizados da BM&FBovespa, os players externos diminuíram em mais de 1,2 bilhão de dólares tal exposição, para 14,282 bilhões de dólares, menor patamar desde o final de março.
Em meio à valorização do dólar nesta sessão, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a falar que o governo continará tomando medidas no câmbio para "impedir" a valorização do real. Mas, segundo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a adoção de uma quarentena para o capital externo não está no radar.



