Fertilizantes são o item com maior peso nos custos de produção no campo | Jonathan Campos/ Gazeta do Povo
Fertilizantes são o item com maior peso nos custos de produção no campo| Foto: Jonathan Campos/ Gazeta do Povo

As cooperativas do Paraná anunciaram ontem a criação do Consórcio Azoto Paraná (Conapar), um projeto que promete tornar o estado autossuficiente na produção de fertilizantes nitrogenados nos próximos anos. O consórcio, resultado de uma parceria entre a Cooperativa Nacional Agroindustrial (Coonagro) com outras três empresas do ramo de fertilizantes (Unisoft, Macrofértil e Península), prevê a construção de uma unidade industrial com capacidade para produzir 330 mil toneladas de ureia. O empreendimento exigirá investimento de US$ 300 milhões e deve gerar 300 empregos diretos.

Segundo a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o Paraná tem hoje apenas uma fábrica de ureia, que produz menos de 600 mil toneladas do produto anualmente, ao passo que a demanda estadual gira em torno de 800 mil toneladas ao ano. "Essa é uma iniciativa pioneira que torna o Paraná uma referência para o Brasil. É o primeiro estado a inserir empresas nacionais de menor escala na produção de fertilizantes", disse o deputado federal e ex-ministro da Agri­cultura Reinhold Stephanes.

"Quase 75% da ureia que o Brasil consome é importada. A fábrica da Conapar vai ajudar o país a diminuir essa dependência, tornar o Paraná autossuficiente e reduzir os custos de produção dos agricultores do estado", avaliou o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski. Segundo ele, os fertilizantes em geral, considerando também os fosfatados e o potássio, são o item que mais onera os custos de produção. No caso da soja, representam 11,5% do desembolso total, relação que sobe a quase um terço no caso do milho.

Contrato

O pontapé inicial rumo à autossuficiência do Paraná foi dado ontem, em Curitiba, com a assinatura do contrato que cria a Conapar. O grupo terá prazo de um ano para concluir os estudos sobre a viabilidade do empreendimento e fazer adequações. Segundo o diretor executivo da Coonagro, Daniel Fontes Dias, nesse período a Conapar irá negociar com o governo federal variáveis como a isenção de impostos como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e firmar contratos de garantia de fornecimento de matéria-prima a preços pré-fixados.

"Cerca de 70% dos custos de produção da ureia é gás natural. Por isso, precisamos ter garantia de matéria-prima, em volume e em preço, para não ficarmos reféns do mercado internacional", explicou Dias. De acordo com o dirigente, Petrobras e Compagas já teriam demonstrado interesse no projeto e devem ser as principais fornecedoras de gás natural à fabrica da Conapar.

As obras da fábrica devem começar em 2011. "A unidade industrial virá pronta da China. Deve levar cerca de um ano para ser fabricada e uns três meses para chegar aqui. Depois disso, demora outros nove meses para ser montada. Ou seja, a nova fábrica de ureia do Paraná deve começar a funcionar na safra 2013/14", previu Dias.

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