Curitiba O maior investimento no Paraná desde a chegada das montadoras, há quase dez anos, tem chances de ser confirmado em setembro. Mas ele depende da velocidade com que a Câmara Federal, hoje atolada na crise política, votará um projeto que muda a tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o papel de imprensa. Este é o produto fabricado pela multinacional norueguesa Norske Skog, que tem um plano para aplicar US$ 550 milhões na instalação de uma nova linha de produção.
Atualmente, a Norske produz 140 mil toneladas de papel imprensa por ano na fábrica que possui na cidade de Jaguariaíva, no Norte Pioneiro. O projeto apresentado pela unidade à matriz é para aumentar a capacidade para 600 mil toneladas por ano suficiente para atender o mercado brasileiro e garantir a exportação de pouco mais de 100 mil toneladas. O plano foi divulgado pela primeira vez há pouco mais de três anos, mas não foi aprovado pelos noruegueses porque a forma de tributação do produto inviabiliza o investimento, segundo a companhia.
O problema apontado pela empresa é que ela paga ICMS na aquisição de insumos, incluindo energia elétrica. Mas o mesmo imposto não é cobrado dos produtos importados. Assim, o tributo vira um custo que os concorrentes estrangeiros não precisam bancar e cai a competitividade da fábrica brasileira. O setor de papel conseguiu incluir na reforma tributária um artigo que altera essa distorção, mas ela está emperrada no Congresso.
Para acelerar a aprovação, foi apresentado no Senado outro texto que lida com a mesma matéria. Ele foi aprovado pelos senadores em junho e tramita na Câmara. "Vemos que o governo está empenhado para agilizar a votação. Mas percebemos também junto à matriz que será difícil sustentar o projeto se a questão não for resolvida rapidamente", diz o vice-presidente de relações externas da Norske, José Afonso Noronha.
A ampliação da capacidade da fábrica em Jaguariaíva ainda está entre as prioridades da Norske. A multinacional quer focar seus investimentos em três regiões: Austrália, Ásia e América do Sul. A próxima reunião do conselho que dirige a companhia ocorrerá na primeira quinzena de setembro. Se a alteração na lei for aprovada até lá, há chances de ser dado o sinal verde para a fábrica brasileira. (GO)



