
O Facebook reagiu à perda de usuários para aplicativos de mensagens usados em smartphones com o maior negócio em sua história de dez anos: comprou o WhatsApp por US$ 16 bilhões. Anteriormente, a principal aquisição havia sido a rede social de fotografia Instagram, em abril de 2012, por US$ 1 bilhão.
A compra do serviço de mensagens instantâneas será concretizada com US$ 4 bilhões em dinheiro e US$ 12 bilhões em ações da rede social. O acordo pode chegar a US$ 19 bilhões, pois prevê um adicional de US$ 3 bilhões em ações que podem ser adquiridas pelos fundadores e funcionários do WhatsApp.
Investidores reagiram mal à notícia, anunciada após o fechamento do mercado. No "after market" (negociações feitas após pregão tradicional), as ações caíam 2,7% por volta de 20h30 no horário de Brasília.
O negócio é o segundo envolvendo aplicativos de mensagens neste mês. Na semana passada, o Viber foi comprado pela empresa japonesa de e-commerce Rakuten, por US$ 900 milhões.
O WhatsApp é usado por 450 milhões de pessoas ao mês 70% delas diariamente e ganha 1 milhão de usuários ao dia. O Facebook, que tem 1,23 bilhão de usuários, diz que o serviço operará de forma independente.
"O WhatsApp está prestes a conectar 1 bilhão de pessoas. Os serviços que atingem esse marco são todos incrivelmente valiosos", afirmou Mark Zuckerberg, fundador e executivo-chefe do Facebook, no anúncio oficial da compra.
Em sua página na rede social, postou ainda que "o Facebook Messenger é largamente usado para bater papo na rede e o WhatsApp, para se comunicar com os contatos e com grupos pequenos de pessoas. Já que o WhatsApp e o Messenger servem para usos tão diferentes, vamos investir em ambos".
Jan Koum, que cofundou o WhatsApp em 2009 e é atualmente seu presidente-executivo, disse que o negócio não implicará "anúncios interrompendo a comunicação". Atualmente, o app gera receitas ao cobrar pela instalação no iPhone (US$ 0,99) e anualidade de US$ 0,99 após o primeiro ano dos usuários do Android.
SMS versus apps
A nova compra ocorre em meio à luta do Facebook para manter os mais jovens na base de seus usuários. Antes do WhatsApp, o Facebook tentara comprar, em 2013, o Snapchat, que envia mensagens que se destroem depois de lidas. A proposta de US$ 3 bilhões foi recusada. O aumento do uso de aplicativos do tipo preocupa também as operadoras de telefonia, que ameaçam as receitas com o serviço de SMS.
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