
Se a situação é crítica nas principais cidades do estado, os municípios de porte menor não sabem a quem recorrer para conseguir atrair empresas e gerar mais emprego e renda. "As consecutivas quedas no FPM (Fundo de Participação dos Municípios) agravam a situação, mesmo porque mais de 70% das prefeituras dependem desses recursos quase que exclusivamente, ou seja, o governo federal pouco faz para ajudar as pequenas cidades", afirma Moacyr Fadel, presidente da Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e prefeito de Castro, nos Campos Gerais. Além de não poder contar com novas áreas, diz, não há dinheiro para aquisição de terrenos nem condições de oferecer infraestrutura para parques industriais.
Fadel salienta que o governo do estado não conta com estratégia de fomento à industrialização. "Não há um plano de apoio real, a única coisa que se faz é diferimento no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), mas é muito pouco para incentivar empresas grandes a ir para as pequenas cidades", reclama. Ele acrescenta que, apesar de haver financiamentos através da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedu), há muita burocracia, além de atraso nas licenças ambientais. "Não se vê o desenvolvimento industrial como uma prioridade", critica.
A falta de fôlego das prefeituras também se faz sentir em Cascavel, no Oeste do estado. José Luiz Parzianello, vice-coordenador da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) na região, conta que os recursos são poucos, e ainda assim o que há não é aplicado. "Em Cascavel não existem mais áreas para novas indústrias; até foi criado um fundo municipal para isso, mas não está sendo usado. A prefeitura não comete mais os erros de administrações anteriores, mas falta um plano de readequação dos espaços para o desenvolvimento industrial, o valor destinado para isso ainda é muito baixo", afirma. Parzianello ainda diz que a cidade tem uma posição geográfica estratégica para o Mercosul, unindo Brasil, Paraguai e Argentina. "Faltando apenas um aeroporto para melhorarmos ainda mais nesse sentido", analisa.
Desordem
No interior, a existência de diversos parques industriais dispostos de maneira disforme dentro dos perímetros urbanos é apontada como problema de difícil resolução. Em Londrina e Maringá não há distritos industriais (grandes áreas destinadas especificamente para a instalação de empresas), mas apenas regiões industrializadas dentro dos municípios.
De acordo com Paulo Meneguetti, empresário em Maringá, a falta desse tipo de conformação urbanística limita ainda mais a industrialização. "Temos mais ou menos 15 parques espalhados pela cidade e um trabalho em parceria com o poder público para prover a infraestrutura necessária para esses parques, com arruamento, pavimentação e galerias. Estamos trabalhando também para que os parques tenham uma identidade visual, mas sofremos por não ter um distrito industrial", diz. Mesmo assim, a cidade busca uma alternativa. Meneguetti espera para breve a instalação do Parque Tecnológico, um espaço dedicado a empresas que atuam no ramo da Tecnologia da Informação. "Já existe o projeto e, quando acontecer, vai ser um diferencial para a região", espera Meneguetti.
Clovis Coelho, membro do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) e representante da Fiep nas regiões Norte e Noroeste do Paraná, relata as dificuldades encontradas. "Em Londrina, a prefeitura ainda não estabeleceu uma política concreta para cessão de áreas a novas empresas. Houve um tempo em que se doava a área e empresas pequenas não conseguiam cumprir com os compromissos assumidos. Agora é preciso provar a capacidade de investimento. Além disso, não temos um distrito industrial com estrutura, mas apenas parques industriais dentro da área urbana", conta.







