Na opinião do consultor empresarial François Premaeker, da ONG Transparência Municipal, com sede no Rio de Janeiro, é necessário que as empresas deixem a política da obtenção de vantagens e comecem a arcar com alguns custos, principalmente os de infraestrutura. "Uma saída para os municípios seria garantir junto à iniciativa privada os benefícios necessários para a implantação das indústrias. A grande parte das empresas quer tudo, urbanização, fácil acesso, isenção fiscal, mas não quer nenhum ônus. De outro lado, é verdade que os municípios precisam de empresas que gerem empregos e renda, mas devem avaliar possíveis problemas que uma indústria pode trazer, como poluição e especulação imobiliária. É necessário pesar vantagens e desvantagens", defende o consultor.
Premaeker também alerta que as cidades que desejam se industrializar não podem ficar esperando recursos da União. "O governo federal desenvolve hoje vários projetos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), mas que têm características macroeconômicas como duplicação de rodovias, construção de hidrelétricas e melhorias em portos. Essas iniciativas colaboram para a vinda de novas indústrias nas regiões onde estão sendo realizadas, mas a atração de empresas de forma localizada fica por conta da capacidade de investimento de cada prefeitura", descreve. O instrumento mais utilizado para essa atração, diz o consultor, é a isenção fiscal (quando o município opta por não cobrar alguns impostos) ou o diferimento (quando a empresa recebe o direito de pagar os impostos em um prazo pré-estabelecido). Hoje, 40% das prefeituras do Brasil fazem isso, contabiliza Premaeker, para quem o governo federal não investe em estrutura para que as empresas se fixem em determinado local, principalmente porque a prioridade atualmente são os programas sociais.
Para conseguir sair do entrave proporcionado pela falta de recursos estaduais e federais e prover infraestrutura para o Distrito Industrial de Ponta Grossa, a prefeitura propôs uma parceria aos empresários. O acordo resultou na obtenção de verbas para asfaltar quase três quilômetros de ruas.
Segundo o diretor-presidente da Companhia Pontagrossense de Serviços (CPS), Manoel Osório Taques, as empresas vão arcar com R$ 740 mil do R$ 1,09 milhão investido. O restante, R$ 350 mil, são recursos do município. "São trechos que estão na frente das indústrias e outros que são de uso comum. Alguns empresários aderiram a um parcelamento da dívida e conseguiram um subsídio, outros optaram por pagar através de contribuição de melhorias, sem esse incentivo. No entanto, a Prefeitura teve que colocar recursos públicos, pois foi a maneira encontrada para providenciar o asfaltamento", relata Taques.







