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Farmácia aposta em televendas para vencer as grandes redes

É com uma equipe de 12 atendentes de telemarketing e apenas uma loja que a CallFarma, nova farmácia instalada em Curitiba, pretende enfrentar a concorrência de peso das grandes redes do setor. Segundo o empresário Carlos Bueno, proprietário da empresa, com o foco na entrega em domicílio, será possível reduzir os custos e oferecer medicamentos com preços até 80% mais baratos que as lojas tradicionais. "Repassamos uma margem mínima de lucro para os medicamentos, temos um giro grande de vendas e, conseqüentemente, uma excelente negociação com as empresas fornecedoras", garante.

Bueno, que investiu R$ 500 mil na empresa (sem considerar os gastos com estoque), diz que os fabricantes têm bastante interesse em negociar com as farmácias focadas em delivery. "Na grande maioria das vezes, o cliente não substitui o medicamento da receita quando compra pelo telefone ou pela internet. Isso é mais interessante para os laboratórios", diz.

A taxa de entrega é relativamente alta (R$ 3,46 para compras de até R$ 40 em Curitiba), mas o dono da CallFarma garante que seus fregueses não vêem muito problema nisso. "O cliente do delivery normalmente usa remédios de uso contínuo e de maior valor. Por isso, a maioria nem paga a taxa. E, se paga, o preço compensa", diz Bueno, que tem 25 anos de experiência no ramo farmacêutico – foi sócio da Drogamed até 2000, quando a rede foi vendida ao grupo chileno Farmacias Ahumada S/A (Fasa). Depois disso, o empresário também atuou como consultor da chegada ao mercado da Ultramed.

Bueno afirma que entre 20% e 30% dos clientes curitibanos já recebem os medicamentos em casa. "E o uso desse serviço tende a crescer." No entanto, o proprietário das marcas Drogamed e Minerva, Hugo Rodriguez, desconfia de um negócio tão focado em delivery e acrescenta que o atendimento na casa dos clientes já não é mais um diferencial do setor. "Todo mundo faz." Rodriguez duvida que a estratégia possa significar numa redução nos custos. Segundo ele, não há milagres nesse mercado e só o aumento no volume de compras pode melhorar a negociação entre distribuidores e revendedores. "Se você paga as contas e todos os impostos, há um preço mínimo a ser pago."

O consultor de marketing da Nissei, Nelson Goulart, concorda que a entrega é um serviço indispensável para qualquer farmácia que queira atender com qualidade. "Quem procura o televendas não está preocupado com preço. Quer agilidade e comodidade. No serviço de delivery, vendemos muitos remédios que, para nós, ficariam muito caros de manter em estoque em todas as lojas", conclui.

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