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Fiasco em licitação do trem-bala faz governo mudar leilão

Diante da não apresentação de propostas para o leilão do trem-bala que ligará Cam­pinas a São Paulo e Rio de Ja­­neiro, o governo decidiu dividir a licitação em duas etapas, uma para a tecnologia e a operação do Trem de Alta Velo­­cidade (TAV) e outra, posterior, para as obras de infraestrutura. "Percebíamos que havia possibilidade de não haver propostas, mas achávamos que tínhamos os elementos para um processo disputado", afirmou ontem o diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Ber­­nardo Figueiredo. "São poucas empresas que detêm a tecnologia da operação, mas tínhamos certeza que mercado era capaz de atender aos requisitos", acrescentou.

Segundo Figueiredo, o governo mantém o projeto do trem-bala, que seria essencial para resolver o problema dos transportes na região. "Não existe solução mais adequada, não adianta ser contra o TAV e não apresentar solução viável", completou, ressaltando que o trem é um meio de transporte confortável, seguro, rápido, previsível e competitivo.

A primeira fase da licitação tratará apenas da tecnologia e da operação dos trens. "Temos confiança de que vamos ter processo disputado nessa etapa", disse o diretor-geral. Na segunda etapa, se­­rão licitadas as obras de infraestrutura. "Quando licitarmos a infraestrutura teremos um projeto detalhado, e o consórcio vencedor terá de licitar trechos das obras para empresas médias e grandes, nacionais e internacionais", afirmou Figueiredo.

Apesar da divisão do processo em duas etapas ainda sem data para acontecer, o diretor da ANTT acredita que não haverá mais atrasos para o início das obras. "Os prazos não mudam e obras devem se iniciar no começo de 2013", garantiu.

Leilão

No prazo final para as empresas entregarem suas propostas, nenhum grupo levou envelopes à Bovespa. Apenas grupos que detêm tecnologia – e que estavam interessados em atuar como fornecedores – estiveram na bolsa paulistana para verificar se havia ou não interessados no empreendimento, entre os quais franceses da Alstom, japoneses da Mitsui e sul-coreanos, além de dois outros grupos que não quiseram se identificar.

Uma comissão iria receber os documentos, em envelopes lacrados, que seriam encaminhados à ANTT e abertos no dia 29, data marcada para o leilão. Venceria quem oferecesse a menor tarifa para os serviços, a partir de uma tarifa-teto fixada em R$ 199,73.

O governo calculou que o custo do projeto estaria hoje em R$ 38 bilhões. O governo se compromete a ser sócio com cerca de R$ 4 bilhões, emprestaria outros R$ 22 bilhões via BNDES (com possibilidade de subsídio de R$ 5 bilhões) e colocaria ainda recursos estimados no mercado entre R$ 3 bilhões e R$ 5 bilhões, via fundos de pensão e empresas públicas.

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