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Com o avanço da tramitação, no Congresso Nacional, da PEC que prevê o fim da escala 6x1, cresce a mobilização de setores preocupados com os impactos econômicos e sociais da medida.
Áreas com uso intensivo de mão de obra e serviços contínuos – como saúde, segurança, limpeza, educação, alimentação, transportes e turismo – têm alertado o governo e o Congresso sobre os efeitos estimados da proposta.
Um dos setores que devem ser mais impactados pela mudança na jornada de trabalho caso o texto aprovado na Câmara seja mantido pelo Senado é o da saúde.
À Gazeta do Povo, a Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) afirmou que o fim da escala 6x1 exigirá reorganização das escalas e, potencialmente, ampliação dos quadros de pessoal em diversas áreas de apoio.
“O principal desafio será garantir que essa transição ocorra de forma gradual e sustentável, sem comprometer a continuidade dos serviços assistenciais e operacionais”, afirma a Anahp.
A associação também admite a possibilidade de repasse dos custos adicionais, com reflexos também sobre valores de planos de saúde. “Existe esse risco. Custos trabalhistas mais elevados tendem a pressionar toda a cadeia da saúde”, afirma a entidade.

Setores de segurança e limpeza projetam alta de 20% nos custos
Outros segmentos que tendem a ser amplamente impactados são os de segurança e vigilância privada e os de serviços de limpeza. Por se tratarem de atividades contínuas, há ampla adoção da escala 12x36, na qual o trabalhador atua por 12 horas consecutivas e descansa nas 36 horas seguintes.
Segundo cálculos da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), o fim da escala 6x1 resultará em 8,7 horas extras semanais por trabalhador. A entidade prevê que, em um primeiro momento, as empresas tentarão adequar os turnos com o quadro atual de funcionários, sem descartar a necessidade de novas contratações.
De acordo com a Fenavist, os custos adicionais para o setor serão da ordem de 20%. Assim como ocorre na saúde, o aumento tende a ser repassado aos contratos e, consequentemente, aos preços finais pagos pelos consumidores.
A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) também estima aumento superior a 20% nos custos.
Além da elevação dos preços, a entidade aponta possíveis impactos negativos sobre a capacidade de investimento das empresas, aumento da informalidade e dificuldades para a manutenção dos empregos formais. “É preciso discutir não apenas os benefícios, mas também os impactos econômicos da proposta”, afirma o presidente da federação, Edimilson Pereira.
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Alta no custo de transporte e logística pode levar a inflação generalizada
O setor de transportes e logística também deve ser amplamente afetado com o eventual fim da escala 6x1. Projeções da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) estimam aumento de custos de até R$ 28 bilhões. A entidade alerta para impactos sobre a inflação, os fretes e a logística em todo o país.
No segmento logístico, a CNT prevê riscos de atrasos nas entregas, perda de eficiência operacional e aumento do valor dos fretes, especialmente em operações envolvendo produtos perecíveis e cargas vivas. A entidade também argumenta que a medida exigirá novas contratações em um setor que já enfrenta escassez de mão de obra.
Assim como ocorre em outros segmentos, a CNT sustenta que parte dessas despesas tende a ser repassada aos consumidores, pressionando os preços e reduzindo o poder de compra da população.
Aumento dos preços será o primeiro impacto a ser sentido, dizem entidades
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) avalia que, na prática, a PEC que reduz a jornada de trabalho eleva o custo do trabalho por decreto, igualando realidades distintas entre setores e regiões do país.
Na visão da entidade, a aprovação da PEC deixa aos empresários brasileiros apenas a alternativa de repassar o aumento dos custos nos preços. Como o consumidor é o próprio trabalhador, no fim, é ele quem arca com a conta, argumenta a CACB.
Em maio, mês em que a proposta foi aprovada na Câmara, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o aumento dos preços será o primeiro impacto a ser sentido. “Não tem para onde correr. Os preços irão aumentar e prejudicar os próprios trabalhadores”, disse em entrevista à CNN.
Ainda em abril, a entidade enviou ao Congresso o manifesto da CNI intitulado “Escala 6X1: o Brasil precisa de mais competitividade, não de mais custos”. O documento é assinado por mais de 800 representantes do setor produtivo.
Nele, a CNI adverte que o impacto inflacionário poderá alcançar 6,2% nos preços em geral e 5,7% nos alimentos. Para cobrir os custos adicionais com novas contratações e horas extras, a entidade estima uma despesa entre R$ 178 bilhões e R$ 267 bilhões.





