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Distribuidoras de gás de cozinha e fabricantes de botijões para gás liquefeito de petróleo (GLP) travam uma disputa em meio à disparada na importação desses recipientes da China, impulsionada pela criação, pelo governo federal, do programa Gás do Povo.
Cerca de 15 milhões de famílias são atendidas pelo programa, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o que tem elevado a demanda por novos botijões.
Somente no primeiro semestre, cerca de 515 mil botijões de GLP de 13 kg (P13) foram adquiridos por distribuidoras no exterior – mais de 90% da China –, o equivalente a quase um quinto de todas as peças novas que entraram no mercado.
Para se ter uma ideia do volume, durante todo o ano de 2025, de 3,9 milhões de novos botijões fornecidos para a cadeia de distribuição, as importações haviam somado apenas 9,9 mil unidades – 0,2% do total. O crescimento é de mais de 52 vezes o volume registrado no ano anterior.
Diante do cenário, fabricantes de botijões pedem que o governo eleve a tarifa de importação dos atuais 12,6% para 25% por pelo menos 12 meses.
O pleito foi apresentado em maio ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) pela Mangels, responsável por cerca de 30% do mercado nacional.
Para a companhia, há um desequilíbrio comercial desde que o imposto de importação sobre o aço foi elevado para 25%, em abril de 2024, para proteger a indústria siderúrgica nacional. A tarifa sobre o botijão acabado, no entanto, não acompanhou à aplicada ao aço.
“A assimetria entre o custo da matéria-prima e o preço do produto final importado pode comprometer a viabilidade da produção local”, argumenta a empresa.
Principal concorrente da Mangels, a Aratell, que detém outros 25% de participação de mercado, uniu-se no pedido. A companhia reforça que o avanço chinês sobre o setor, via importações, tem implicações negativas em relação à competitividade, “o que poderá resultar em perdas de emprego e menor investimento em produção e tecnologia”.
Na contramão, distribuidoras pedem isenção para importação de botijões
O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), que representa distribuidoras como Amazongás, Consigaz, Copa Energia, GasLog, Nacional Gás, Supergasbras e Ultragaz, diz ter recebido com surpresa a proposta de aumento de tributação sobre a importação de botijões de GLP.
“A medida ocorre justamente em um momento de forte expansão da demanda por recipientes, impulsionada pelo programa Gás do Povo, que ampliou significativamente a necessidade de incorporação de novos botijões ao mercado”, declarou a entidade em nota à Gazeta do Povo.
O aumento nas compras de botijões no mercado externo é considerado necessário pelo Sindigás “para atender, com agilidade, o aumento da demanda gerado por uma política pública de grande alcance social”.
O pedido de aumento de tributação tem sido contestado pelas distribuidoras de GLP, que, no sentido contrário, pedem ao governo que zere o imposto para importação de botijões alegando risco de desabastecimento.
O Sindigás afirma que a indústria nacional não tem capacidade suficiente para atender a demanda por novos botijões, que aumentou com o programa Gás do Povo.
Segundo a entidade, o padrão atual de reposição de recipientes P13 gira em torno de 2% ao ano, o que equivale a 2,6 milhões de novos vasilhames. Com o início do Gás do Povo, estima-se que apenas para atender os novos beneficiários do programa seriam necessários aproximadamente 10,5 milhões de novos botijões, o que corresponderia a cerca de 8% do parque atualmente em circulação.
“Ao final desse processo, estima-se que o mercado possa demandar mais de 13 milhões de novos recipientes, somando-se tanto a reposição anual habitual quanto os botijões necessários para atender os novos beneficiários das políticas públicas”, argumenta o Sindigás.
As fabricantes de botijões alegam que os números não correspondem à realidade e que a indústria nacional tem capacidade de suprir a demanda adicional.
A Mangels estima que a demanda adicional ficará entre 900 mil e 1 milhão de botijões em 2026 e a indústria nacional possui capacidade suficiente para atender esse volume, podendo ampliar a produção para até 12 milhões de unidades caso necessário.
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Indústria do aço é contra isenção para importação
Empresas produtoras de aço, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a Gerdau, embora não tenham defendido publicamente o aumento da tarifa sobre a importação de botijões, são contra o pedido de isenção do Sindigás.
Para o diretor executivo da CSN, Luis Fernando Barbosa Martinez, a medida pleiteada criaria incentivo artificial à substituição da produção nacional por importados. “Seus efeitos concretos incluem redução da demanda por aço nacional, queda na utilização da capacidade produtiva instalada, perda de empregos industriais e desestímulo a novos investimentos no Brasil”, disse, em manifestação ao MDIC.
Pedidos sobre tarifa estão em análise pelo governo
De acordo com o MDIC, o pedido de isenção apresentado pelo Sindigás encontra-se em análise técnica no âmbito da Subsecretaria de Estratégia Comercial (Strat).
O pleito da Mangels, por sua vez, foi encaminhado pela Strat no dia 27 ao Comitê de Alterações Tarifárias (CAT), responsável por avaliar requisitos como urgência e relevância para emitir uma recomendação técnica ao Comitê-Executivo de Gestão da Camex (Gecex), que pode aprovar, ajustar ou indeferir o pedido.




