Brasília – Em uma reunião de trabalho no estilo de programa de campanha eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem que é possível tecnicamente antecipar de 2008 para o próximo ano a obrigatoriedade de adição de 2% do biodiesel no óleo diesel. Diferentemente das regras do cerimonial do governo, o encontro que reuniu três ministros e dezenas de representantes da cadeia produtiva do biodiesel foi realizado sob os holofotes e câmeras da imprensa. Ao lado dos ministros de Minas e Energia, Silas Rondeau, da Casa Civil, Dilma Rousseff, e do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, Lula ressaltou que os avanços na área serão compartilhados por todos. "Tem toda uma engenharia de oportunidades", disse. "Nem o governo e nem o empresário têm de tentar ser mais espertos que todo mundo."

Rondeau disse que será possível realizar um quinto leilão do combustível produzido a partir de oleaginosas. A adição de 2% do biodiesel no óleo diesel foi prevista para 2008 e 5% em 2013.

O ministro recorreu até ao marketing da rede de lanchonetes McDonald’s para destacar a importância do biodiesel. "O McDonald’s não vende sanduíche, vende alegria e felicidade", disse. "Assim como sanduíche não é só sanduíche, o biodiesel não é só combustível, mas uma solução econômica", afirmou. Lula riu. A matéria-prima usada para produzir o biodiesel pode ser cultivada em pequenas propriedades rurais, por isso o combustível é visto no governo como um programa energético que é ao mesmo tempo, de inclusão social.

Exibindo uma série de eslaides, Rondeau mostrou que sete usinas de biodiesel estão atualmente em operação, 14 estão à espera de autorização da Agência Nacional de Petróleo (ANP) para entrar em operação e outras 16 estão em construção. Segundo ele, cada usina tem capacidade de produção para 123 milhões de litros por ano. Outros 20 projetos de construção de usinas estão em estudo. Cerca de 205 mil famílias já atuam na produção de mamona, girassol e outros vegetais usados na fabricação do biodiesel.

Lula disse que o biodiesel é um projeto "ideal" para despoluir o planeta, "encher" o estômago das pessoas de comida e conseqüentemente, evitar conflitos por causa do petróleo. "O mundo clama por paz e harmonia", afirmou. "É uma coisa um pouco mágica, porque nem todos têm a dimensão do que pode acontecer no mundo com o biocombustível."

O presidente salientou que o programa não pode crescer desordenadamente para evitar erros cometidos pelo governo com a implantação do Pró-Álcool, o Programa Nacional do Álcool, criado em 1975 pelo general Ernesto Geisel. Lula relatou que o governo japonês demonstrou interesse no biodiesel, mas questionou a seriedade do Brasil em produzir o combustível.

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