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O ministro da Economia, Paulo Guedes.
O ministro da Economia, Paulo Guedes.| Foto: Edu Andrade/Ascom/ME

O governo federal reduziu sua previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2022. O crescimento esperado baixou de 2,1% para 1,5%. A nova projeção foi divulgada nesta quinta-feira (17) em relatório do Ministério da Economia.

Apesar dessa revisão, o governo segue mais otimista que a maioria dos economistas consultados semanalmente pelo Banco Central. Após duas altas consecutivas, o ponto médio das estimativas de bancos, corretoras e consultorias aponta agora para um crescimento de 0,49% em 2022.

Há pouco menos de um mês, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que economistas passariam o ano elevando suas projeções. "Acho que todo mundo vai passar o ano fazendo revisão para cima. Porque erraram antes e vão errar de novo", afirmou.

Segundo a Secretaria de Política Econômica (SPE), a queda na estimativa oficial do governo se deve, na maior parte, a "revisões estatísticas, oriundas da atualização das contas nacionais de 2019, divulgada pelo IBGE em dezembro de 2021, e do crescimento menor que o projetado no segundo semestre de 2021".

Embora tenha sido o maior em 11 anos, o crescimento econômico de 4,6% em 2021 ficou abaixo da projeção da SPE, que esperava expansão de 5,1%. Com isso, mais as atualizações feitas pelo IBGE, o impulso para 2022 ficou menor que o projetado anteriormente.

"Os setores mais afetados negativamente no final do ano passado foram a indústria e o setor agropecuário, cuja produção foi prejudicada, em grande medida, pela ampliação dos gargalos nas cadeias globais e pela maior crise hídrica em quase 100 anos, respectivamente", diz o Boletim Macrofiscal divulgado nesta quinta.

A SPE acrescenta que a conjuntura internacional piorou nos últimos meses. O quadro ganhou novos contornos com o início da guerra na Ucrânia.

"As projeções coletadas dos analistas de mercado indicam revisão negativa da atividade para as principais economias globais. Observa-se que as mudanças ocorrem desde o final do terceiro trimestre do ano passado, com revisões maiores para alguns países após o início do conflito no Leste Europeu", diz o boletim.

"A maior inflação global e a consequente redução dos estímulos monetários e fiscais, ainda que estejam em território expansionista, ajudam a explicar as menores estimativas para as expansões das economias selecionadas para 2022", prossegue o texto da SPE.

Apesar desse quadro, o time de Paulo Guedes afirma que as condições para a expansão do PIB continuam presentes. "Para 2022, apesar dos efeitos da maior incerteza global, decorrente da guerra na Ucrânia, e do menor carregamento estatístico do PIB, os fundamentos para o crescimento continuam presentes, principalmente com o possível arrefecimento dos choques negativos de oferta como a crise hídrica, quebra de cadeias de valor e pandemia", diz o boletim.

Entre os fatores que devem impulsionar a economia estão o mercado de trabalho e os investimentos privados, segundo a SPE. "A intenção de investimento dos empresários para os próximos seis meses e a produção de bens de capital se encontram em patamares elevados em relação ao padrão histórico. Recentemente, estimou-se que as concessões em parceria com o setor privado neste ano serão de R$ 78 bilhões, o que equivale a um crescimento de 2,3% do investimento, com impacto de 0,45% no PIB", afirma a secretaria.

O indicador consolidado mais recente sobre a atividade econômica no país – o IBC-Br, divulgado divulgado nesta quinta – começou o ano em baixa. Segundo o Banco Central, responsável pelo cálculo, em janeiro o índice recuou 0,99% na comparação com dezembro, já feitos os ajustes sazonais.

Governo eleva projeção para a inflação

Além de reduzir sua estimativa para o PIB, a equipe econômica promoveu um forte aumento na expectativa de inflação. A projeção para o IPCA de 2022 passou de 4,7% para 6,55% e agora está ligeiramente acima da expectativa mediana do mercado financeiro (6,45%). Para o ano que vem, a SPE espera que a inflação retorne à meta do Banco Central, que será de 3,25%.

Calculado pelo IBGE, o IPCA busca refletir o orçamento das famílias com renda de um a 40 salários mínimos. Para o INPC, que reflete a realidade dos lares com renda de a um a cinco salários, a projeção do governo foi reajustada de 4,5% para 6,7%.

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