
Um dia depois de acertar a saída coletiva da diretoria da Petrobras com Dilma Rousseff para o fim do mês, Graça Foster renunciou à presidência da estatal ontem diante da recusa dos demais diretores de permanecer nos cargos por mais três semanas.
Cinco dos sete diretores da estatal não aceitaram o cronograma de troca definido pela presidente da República. Restou a Graça informar Dilma que já não tinha condições de controlar os demais colegas de diretoria e que a mudança teria que ser antecipada.
Em comunicado ao mercado emitido na manhã de ontem, a empresa afirmou que o Conselho de Administração se reunirá amanhã para eleger a nova diretoria.
Na última terça-feira, Dilma e Graça se reuniram no Palácio do Planalto para discutir a situação da executiva. Graça apresentou as cartas de renúncia dos diretores, mas a presidente argumentou que precisava de tempo para achar substitutos. Ficou definida, então, a saída do grupo até o fim do mês, após a publicação do prejuízo decorrente de corrupção na estatal.
Há quase um ano, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, descobriu um esquema de desvios de recursos da estatal para beneficiar empresas e políticos. Desde então, a situação financeira da empresa só se agravou.
A presidente, que até este momento jamais concordara com a renúncia de Graça, passou a considerar na semana passada a demissão da auxiliar.
Acreditava que a amiga havia perdido as condições de conduzir a empresa durante sua maior crise. Dilma é uma defensora incondicional do caráter da auxiliar, e lamenta vê-la saindo mesmo sem ser acusada de irregularidades.
Nos últimos dias, Graça começou apresentar sinais do desgaste emocional provocado por toda a situação vivida. À presidente, lamentou muito o fato de seu prédio ter sido cercado por manifestantes, levando sua família a constrangimentos.
Ela, entretanto, estava disposta a atender ao último pedido da chefe de ficar por um pouco mais de tempo. Acabou surpreendida pela recusa dos demais diretores, que não quiseram prolongar ainda mais o que chamaram de processo de ''fritura'' nos cargos.
Graça telefonou para a Dilma na noite de terça para informar da decisão colegiada.
Substituto
Dois diretores não assinaram a renúncia coletiva. José Eduardo Dutra, afastado por motivos de saúde, e o diretor de Governança, Risco e Conformidade da Petrobras, João Elek, recém-empossado no cargo. Dutra já havia manifestado seu desejo de deixar a diretoria após o recrudescimento das denúncias.
A intenção da Petrobras era só informar sobre a renúncia coletiva amanhã, mas um pedido de explicações feito pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a xerife do mercado financeiro, sobre reportagem do jornal Folha de S.Paulo informando que o Planalto já havia decidido pela substituição de Graça obrigou a diretoria a se pronunciar e informar a decisão.
Até ontem, o Planalto não tinha a confirmação de um substituto de Graça.
Os cotados
Conheça os favoritos para ocupar a presidência da Petrobras:













