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Transformação industrial

Indústria brasileira se abre para startups, mas é cedo para falar em tendência

Com o surgimento de cases mais maduros de inovação aberta, indústria brasileira deve caminhar mais rapidamente para se conectar com startups e se inserir na nova economia

  • Naiady Piva
Robôs trabalham em planta 4.0 da GM nos EUA | Bill Pugliano/Getty Images/AFP
Robôs trabalham em planta 4.0 da GM nos EUA Bill Pugliano/Getty Images/AFP
 
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Um treinamento popular entre atletas de rugby consiste em empurrar um trenó carregado de pesos. Os primeiros metros são mais difíceis, mas conforme o atleta atinge uma velocidade constante, o exercício flui. O trabalho de tirar a indústria brasileira da inércia é semelhante.

A inovação 4.0 e a conexão com startups dá seus primeiros passos — mas ainda está longe de correr com velocidade. É algo restrito a grandes indústrias, que têm maior margem financeira para arriscar (e errar). E, ainda assim, somente àquelas mais afeitas a àquelas mais afeitas, ou que são mais pressionadas por mudanças.

No último ano, pipocaram iniciativas gestadas dentro de grandes indústrias. Por vezes em parceria com atores do ecossistema de inovação, como a Endeavor. E de setores industriais, como o recém-inaugurado Hub da Mineração, que congrega 18 das maiores mineradoras do Brasil.

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Mas ainda é cedo para falar em tendência. “São os ‘early adopters’”, avalia Rodrigo Rodrigues, coordenador de inovação da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). O termo se refere aos primeiros a adotar uma novidade ou tecnologia assim que ela surge, e que lideram sua implantação.

“Ainda é um movimento muito de nicho, das grandes, mas 70% da economia brasileira é de pequenas e médias; e ainda sequer temos early adopters entre as médias empresas”.

Um processo importante é o de maior maturidade destes programas. Por muito tempo, e ainda hoje, o relacionamento com startups dentro das grandes empresas foi atribuição do Marketing, como construção de marca. Hoje, aos poucos, as corporações entendem que este é um caminho para otimização de processos e melhoria de produtividade.

Startup indústria

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Atletas do Curitiba Rugby treinam empurrando trenó com peso das colegasJulio Gabardo/Gazeta do Povo/ Arquivo

Encerrado há cerca de um mês, o programa Startup Indústria, da ABDI, conectou 27 startups a 10 das indústrias mais inovadoras do país. A intenção era gerar cases. Mostrar que é possível inovar trazendo startups para o coração do processo produtivo de uma grande indústria.

Deu certo. O número de empresas inscritas já aumentou, no segundo edital, cujo prazo para cadastro se encerra nos próximos dias. E, o mais importante: algumas empresas de porte médio começam a se interessar pelo programa.

Mais do que isso, as participantes funcionam como uma vitrine. Se Natura, Embraer, BRF e Votorantim Cimentos conseguem abrir sua produção para trabalhar em parceria com uma empresa novata, “eu também posso repetir o feito”. É o que a ABDI quer colocar na cabeça da liderança empresarial.

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É uma lógica de espiral, em que os programas fomentam mudanças culturais no mercado. O Startup Indústria não é o único. A Endeavor, que trabalha com startups de alto crescimento, vem aumentando o número de projetos voltados para indústrias específicas, como a farmacêutica, de energia e de materiais de construção.

Os cases foram documentados, divulgados, e transformados em um guia — que ensina, do zero, como uma empresa pode agregar startups em sua produção. Confira uma versão resumida no final da matéria.

Inovação aberta

A conexão com startups não é o único caminho para inovação das indústrias. Mas é um bom termômetro para medir se estas empresas conseguem fazer a transição para a era da “inovação aberta”.

É uma lógica em que a inovação é feita mediante parcerias, o que pode significar diminuição de custos e ganhos de produtividade. Mas também implica em dividir os louros, inclusive com concorrentes, já que o processo inovador não fica circunscrito aos muros das empresas.

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Algo avesso à tradição da indústria brasileira. “A necessidade fez com que as indústrias olhassem muito para dentro, avalia Beny Fard, da aceleradora Spin. Nas décadas de 1980 e 1990, impulsionados pelo controle de qualidade, as indústrias trouxeram para dentro do seu guarda-chuva o desenvolvimento de muitas soluções acessórias a sua atividade-fim.

Os departamentos de produção e desenvolvimento ganharam musculatura, mas muito voltados para dentro; ao passo que as cadeias de produção se alongaram, o que torna o planejamento (e incorporação de mudanças) um trabalho hercúleo.

Perfil de liderança

Com base em Jaraguá do Sul, polo industrial catarinense, a Spin se especializou em orientar indústrias em seus processos de transformação digital. E a experiência mostrou que os processos de inovação aberta dependem muito de um papel ativo da liderança.

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É um movimento que deve ocorrer de cima para baixo, acredita o CEO da Spin. “As inteligências de mercado têm mostrado que grandes conglomerados, corporações que não se adaptarem à nova economia vão perder fatias de mercado. Não necessariamente para startups, mas para concorrentes que adquirirem manadas de startups”, avalia.

O risco maior não é quebrar, como ocorreu com a Blockbuster (tornada obsoleta com a emergência do streaming), e sim ter sua margem de lucro exprimida. “O desafio maior da empresa não é manter-se viva, é manter-se lucrativa. E o lucro nunca esteve tanto nas mãos dos consumidores como neste momento da história”.

Próximos passos

Para o próximo período, a perspectiva é de que a conexão entre indústrias e startups ganhe tração — de forma acelerada. À conscientização da importância da inovação aberta mescla-se um processo competitivo, que instiga as corporações a implantarem processos inovadores robustos, para não ficarem para trás.

A tendência é que surjam programas mais maduros, focados em conexões que tragam ganhos de produtividade às indústrias, e que as auxilie na transição para o mundo 4.0.

A evolução do ecossistema de startups brasileiro, que aos poucos ganha protagonismo mundial, contribui para isso. O país, que começou o ano de 2018 sem nenhum unicórnio (startup que vale mais de um bilhão de dólares), terminou com cinco.

Mas é um crescimento que ainda deve ficar restrito às grandes empresas. As menores ainda devem passar por toda a jornada de amadurecimento, que passa pelos primeiros cases, a conscientização da liderança, o aumento do número de startups focadas neste público e de atores do ecossistema especializados em promover estas conexões.

Um desafio adicional, aqui, é a falta de dinheiro. Em indústrias pequenas e médias o cobertor é mais curto, o que implica em dar tiros mais certeiros, na hora de incorporar uma inovação. Nada fácil, em uma área em que arriscar para aprender com os erros é fundamental.

Uma forma de encurtar caminhos é seguir método. Confira abaixo um passo a passo para conexão entre startups e indústria, inspirado no guia de boas práticas da ABDI (confira o material original aqui).

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