A elevada carga tributária e o câmbio valorizado estão acabando com a indústria nacional de bicicletas. Marcas brasileiras famosas, como Caloi e Monark, estão se rendendo às importações de peças e equipamentos, fazendo no Brasil apenas o trabalho de montagem dos veículos. Segundo fontes do setor, até 70% das bicicletas da Caloi e 100% das Monark são hoje made in China.

Quando um brasileiro compra uma bicicleta, quase metade do que desembolsa vai para o poder público na forma de impostos. A carga de tributos incidente sobre uma bicicleta nova equivalente ao preço das duas rodas montadas – aro, cubo, raios, rolamentos e pneus –, e do quadro.

"Infelizmente a indústria nacional está acabando. Já não se fabrica mais no Brasil catracas, correntes e câmbios. Não compensa porque é caro e lá fora a tecnologia é melhor", avalia o gerente comercial da Agência da Bicicleta, André Hain Taborda.

Desoneração

Tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que concede isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para bicicletas e suas peças vendidas separadamente. O projeto também zera as alíquotas da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as vendas de bicicletas.

Para o autor da proposta, deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), a desoneração vai baixar preços e estimular o uso das bicicletas como meio de transporte sustentável. "O meio ambiente e a saúde humana entram em equilíbrio quando esse modal se torna viável", afirma.

A proposta tramita em caráter conclusivo – não requer apreciação em plenário, bastando sua aprovação nas comissões – e ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tribu­­tação; de Constituição e Justiça; e de Cidadania.

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