A inflação de itens básicos deu muito trabalho para a indústria de alimentos em 2008. Fabricantes de produtos elaborados tiveram de aprimorar processos produtivos, cortar custos e negociar repasses para o varejo o que foi possível com a renda do consumidor em alta. Em alguns casos, os ajustes não foram suficientes para impedir uma redução nas margens de lucro.
Na Frimesa, a rentabilidade líquida caiu de uma faixa entre 3% e 4% para um intervalo de 2% a 3%. A cooperativa, com sede em Medianeira, tem forte atuação no segmento de carnes, o que teve as maiores altas nas matérias-primas. "Fizemos um programa para reduzir custos administrativos e desperdícios, porque os repasses têm limite. Não podemos perder volume agora porque teríamos prejuízo operacional", conta Elias José Zydek, diretor executivo da Frimesa.
Agora, o cenário é de uma pressão menor das matérias-primas, mas com uma dificuldade maior para financiar a produção. "Como exportamos, costumamos fazer adiantamento de câmbio. Só que os contratos estão muito caros, dobraram de preço", comenta Zydek. Fora isso, a empresa pode ter de lidar com uma demanda menor no começo de 2009.
Outra cooperativa de Medianeira, a Lar, trabalha com frentes. Ela tem uma linha variada de produtos para o mercado interno que se ajustou bem ao aumento dos custos no primeiro semestre. "A pressão foi muito grande, tivemos de ganhar eficiência para diluir a disparada das commodities. E o mercado interno aceitou reajustes porque estava indo bem", afirma Jair Meyer, gerente da divisão de alimentos e compras.
Mais complicada é a situação do segmento de aves, que em grande parte está voltado para a exportação. Quando as cotações do milho dispararam, o preço do frango acompanhou. Agora ocorre o inverso: os dois produtos estão em queda próxima de 30%. O problema é que a demanda também está encolhendo. "Para a exportação, o câmbio compensa boa parte do preço menor. Mas a crise fez com que compradores da Europa, Japão e até da China se recolhessem", completa Meyer. Se vender menos, a cooperativa corre o risco de perder rentabilidade.
Doce
A Barion, fabricante de doces da região de Curitiba, já percebeu uma queda nos preços de alguns insumos. Cacau e trigo, por exemplo, estão em baixa, enquanto a recuperação na cotação do açúcar ainda não preocupa. "No meio do ano, conseguimos fazer um repasse médio de 5%. Foi o suficiente para manter as margens", lembra o diretor geral da companhia, Rommel Barion.
A disparada do dólar que faz subir algumas matérias-primas, como aromas, adesivos e ingredientes importados. Assim, a empresa prevê um aumento médio entre 4% e 5% no começo de 2009. A estimativa da Barion é ter um aumento de 30% nas vendas de Páscoa, dado que ainda é mantido, apesar da crise.
A empresa de alimentação empresarial Exal, de Curitiba, percebeu uma elevação de 38% nos seus custos com ingredientes até setembro. Em outubro e novembro, houve uma pequena deflação, o que indica uma estabilização nos preços. "Sentimos a inflação de forma instantânea. Foi muito duro negociar repasses porque temos contratos anuais", conta Roberto Oliveira, diretor presidente da companhia.
Em média, o reajuste nos contratos foi de 10%. A diferença foi coberta pela criatividade no cardápio a Exal tem 2,5 mil opções de pratos principais em seu software de gerenciamento. Itens que ficaram muito caros perderam espaço. O que não foi suficiente para salvar a margem de lucro, que caiu de 5% para 3,5%. "Mesmo assim, crescemos 30% em 2008 e vamos continuar nossos planos para captar novos clientes", coloca Oliveira.







