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Crise obriga empresas a fazer “lipo” nos gastos

Corte de despesas não-essenciais e de “gorduras” acumuladas em épocas de bonança alivia o caixa em meio à desaceleração econômica

Ludger Tamaoki e Rodrigues, da Brainbox: economia em detalhes, como a conta de luz | Daniel Derevek/Gazeta do Povo
Ludger Tamaoki e Rodrigues, da Brainbox: economia em detalhes, como a conta de luz (Foto: Daniel Derevek/Gazeta do Povo)

Se a empresa em que você trabalha reduziu o cafezinho nas últimas semanas, saiba que não foi a única. Embora haja dúvidas sobre a eficácia dessa medida no enfrentamento da crise global, foi a ela que muitas companhias recorreram nos últimos dois meses. Mas alguns administradores têm encontrado maneiras mais inteligentes de reduzir despesas. Entre elas, o uso racional de água, energia, papel, telefonia e transporte – e, nas grandes corporações, o corte de uma série de "gorduras" acumuladas em épocas de bonança.

Eliminar gastos não-essenciais pode não ser suficiente para evitar providências mais drásticas, mas certamente torna as empresas mais enxutas e preparadas para a "saída da crise". "É preciso economizar sem perder qualidade. E ainda tem gente que corta o café, o que é uma economia burra, porque tem impacto irrisório e desagrada a equipe. Talvez ainda façam isso porque é mais fácil do que mudar de atitude, ou do que avaliar se é mesmo necessário o executivo se hospedar sempre em hotel cinco estrelas", resume o designer Zé Henrique Rodrigues, sócio da Brainbox Design Estratégico, de Curitiba.

A equipe de cinco pessoas do escritório de design não esperou a crise para tornar seus custos mais racionais – e nem poderia. "Grandes empresas têm uma série de gorduras que uma pequena não pode ter, senão quebra logo no primeiro mês", diz Rodrigues. Algumas dessas adiposidades corporativas vieram a público nas últimas semanas, por meio de memorandos de companhias como TAM, Votorantim e Arcelor Mittal (veja texto nesta página). Para o professor de finanças Pedro Leão Bispo, do Instituto Superior de Administração e Economia (Isae/FGV), qualquer gasto deveria ser aprovado com a premissa de que gere retorno – e foi aí que muitas se descuidaram. "Se as empresas estavam usando muito táxi ou telefone, estavam erradas desde antes da crise."

Ventilação natural

A política de gastos reduzidos da Brainbox começou na escolha do escritório, que aproveita ao máximo a luz natural e tem janelas em pontos cruzados – ou seja, permite a passagem de correntes de ar e praticamente elimina o uso do ar-condicionado. Resultado: até R$ 150 a menos na conta de luz. Ainda mais importante foi reduzir ao mínimo a impressão de provas para os clientes. "Comecei a apresentar os trabalhos na tela do laptop, e a maioria não sentiu diferença. Hoje, 80% dos trabalhos são apresentados assim, e mais ou menos 50% vão por e-mail, poupando gastos com deslocamento."

Foi por aí que a Gráfica Comunicare começou a cortar gastos depois da crise, que elevou os preços do papel entre 10% e 20%. "A idéia é enviar modelos por e-mail sempre que possível. Reduzimos o gasto com impressão da prova e com motoboys", explica Raphael Manzoni, diretor da empresa. Mas essas providências não foram suficientes para enfrentar a queda de até 25% nos pedidos, e o empresário agora estuda dispensar 10 dos 45 funcionários.

Luz, água e telefone

O menor consumo de eletricidade foi prioridade nos planos do Destro MacroAtacado e da fabricante de refrigerantes Cini. O centro de distribuição do grupo atacadista em Curitiba, inaugurado há quatro meses, tem teto translúcido, de policarbonato. Com 35 mil metros quadrados, o depósito só precisa de luz à noite, conta o diretor comercial, João Carlos Destro.

A fábrica da Cini implantou em meados do ano um programa de contenção de despesas, que incluiu uma nova máquina enfardadora, de baixo consumo de energia, e a repintura do piso, com tinta epóxi de cor clara – por suas características, a tinta diminui a necessidade de luz artificial e exige pouca água nas lavagens. Segundo a diretora de marketing da Cini, Ingrid Spengler, essas mudanças reduziram em 20% a conta de energia e em 15% a fatura de água.

Ingrid conta que a empresa também mudou a operadora de telefonia celular. "Como ela tem gestão via internet, podemos criar diferentes perfis para os usuários, bloqueando ou liberando determinados serviços para cada um. Também conseguimos verificar os gastos individualmente."

Consumo consciente

Idéias simples e baratas adotadas no início deste ano ajudaram a Posigraf, gráfica do Grupo Positivo, a reduzir despesas não-essenciais. Lembretes espalhados por monitores, impressoras, interruptores e até nos sanitários reduziram o consumo de água e luz. "Como parte da campanha, os funcionários ganharam copos e canecas, o que gerou uma economia considerável com copos descartáveis", conta o diretor-geral, Giem Guimarães. O que mudou desde a crise, foi um reforço no controle dos gastos com viagens e deslocamentos. "Já fazíamos esse acompanhamento. Somente reforçamos o controle."

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