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Ilan Goldfajn, novo presidente do BC e “guardião” da meta de inflação | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
Ilan Goldfajn, novo presidente do BC e “guardião” da meta de inflação| Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em duas manifestações públicas formais desde que foi indicado ao cargo, o novo presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, foi claro ao afirmar que a missão de sua gestão é perseguir uma inflação baixa e estável como forma de assegurar a estabilidade do poder de compra da moeda. Contudo, entre a fala de Goldfajn na sabatina do Senado Federal e seu discurso de posse como presidente do BC, que aconteceu na segunda-feira (13), o IBGE divulgou que a inflação medida em maio pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,78%, maior que o que foi registrado no mesmo período de 2015.

Confira a evolução da inflação em 2016,na comparação com 2015

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Inflação em patamar elevado deve retardar a redução dos juros

Ainda que o aumento da inflação no mês de maio não esteja relacionado a um crescimento da demanda – portanto, tentar conter este avanço com a taxa de juros seria inócuo –, o crescimento do IPCA pode retardar a diminuição da taxa básica de juros no país. O relatório da consultoria Rosenberg afirma que o clima internacional favorável permite uma possibilidade para o corte da Selic no segundo semestre.

Segundo a análise, as crises política e fiscal do país e as pressões atípicas sobre os preços, entretanto, devem retardar esse processo para o mês de outubro, quando a consultoria prevê o início de um ciclo de queda de 0,5 ponto porcentual por reunião até chegar a taxa de 11,25%, que deve vigorar durante todo o ano de 2017.

O economista Rafael Leão, da Parallaxis, também acredita em um atraso na redução da taxa de juros. “Se existia uma brecha para cortarem os juros em julho, acho que agora deixaram para o ultimo trimestre. O IPCA acende uma luzinha amarela e a tendência agora é esperar ancorar as expectativas de inflação para 2017. Quando isso começar a andar pelo centro da meta, fica mais fácil cortar os juros”, analisa.

Apesar do susto, economistas avaliam que a alta de maio não deve comprometer a trajetória de queda da inflação de 2016 comparada com 2015. Para Rafael Leão, economista da Parallaxis, esse aumento não surpreende. “A gente não poderia esperar uma trajetória declinante que fosse retilínea”, avalia.

Os analistas apontam dois fatores como os responsáveis pela elevação do índice de preços no mês de maio: o custo dos alimentos e os preços administrados pelo governo.

Elson Teles, economista do Itaú, avalia que o índice de preços de maio foi influenciado pela quebra da safra de grãos, que vem sofrendo perdas impostas pelo clima. Segundo ele, a perspectiva é que ainda se observem pressões adicionais ao preço dos alimentos, já que o problema na safra de grãos vai se refletir também no preço da carne em virtude do custo de produção das rações animais.

Rafael Leão afirma que as recentes geadas também devem pressionar a inflação do mês de junho, especialmente no grupo das raízes e leguminosas. Ele diz, entretanto, que este efeito não deve ser duradouro. “Ele vem com intensidade forte, mas assim como vem, ele volta”. Na avaliação de Leão, os preços administrados são mais preocupantes que fatores sazonais. “Eles têm um impacto forte e não cedem depois”, diz.

Em maio, os aumentos de tarifas de energia elétrica em diversas capitais do país, o fim do bônus da companhia de saneamento de São Paulo para consumidores que economizavam e o reajuste de 12,5% autorizado pelo governo no preço dos remédios foram grandes responsáveis pela elevação do IPCA.

Revisão do índice anual

O índice de preços de maio fez com que os analistas econômicos revisassem para cima a expectativa de inflação anual. Segundo Elson Teles, a projeção do Itaú, que era de 6,9%, subiu para 7,2%. No Boletim Focus, do Banco Central, a previsão do IPCA para 2016 subiu pela quarta semana consecutiva, e passou de 7,12% para 7,19%. Já a Parallaxis manteve sua expectativa de 6,9%, mesmo com o resultado de maio.

Até as previsões mais otimistas ainda mantêm a inflação deste ano acima do teto da meta. Em sua posse, Ilan Goldfajn, que participou da implantação do regime de metas, afirmou que nesse regime “o objetivo é cumprir plenamente a meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, mirando o seu ponto central”, que é de 4,5%. Segundo ele, os limites de tolerância estabelecidos servem para acomodar choques inesperados na inflação, que não permitam a volta ao centro da meta em tempo hábil. Goldfajn, entretanto, não deu um prazo para que a inflação do país chegue centro da meta.

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