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Influenciadores denunciam campanha de difamação do BC para tentar anular liquidação do Banco Master

Fachada do prédio do banco de Brasília (BRB). Em março de 2025, o conselho do Banco BRB aprovou a compra de 58% do capital do Banco Master, valor estimado em R$ 2 bilhões. O acordo previa que o BRB, uma sociedade de capital e controlada majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal (GDF). Influenciadores relataram terem sido procurados para campanha contra BC. (Foto: Joédson Alves / Agência Brasil)

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Influenciadores que, juntos, somam milhões de seguidores nas redes sociais relataram terem sido procurados por interessados em difamar os envolvidos na liquidação do Banco Master, em especial o Banco Central (BC). O objetivo da campanha seria abalar a credibilidade das autoridades na operação e, com isso, tentar uma possível reversão da medida no Tribunal de Contas da União (TCU).

Com mais de 1,5 milhão de seguidores, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) foi um dos abordados. Ele chegou a assinar um contrato de confidencialidade para acessar os termos da proposta, que prometia remuneração de “milhares de reais”, sem especificar valores exatos.

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Segundo o vereador, o intuito seria blindar o banqueiro Daniel Vorcaro e o círculo de políticos que ele teria articulado em Brasília. “Sim, se Daniel Vorcaro cair, muitos políticos caem junto”, afirmou em vídeo no Instagram. Ao compreender o teor das publicações exigidas, Gabriel recusou a proposta e encaminhou os documentos à colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, que vem publicando uma série de reportagens sobre o caso.

Pico de posts em dezembro

Os alvos preferenciais das postagens seriam, além do BC, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a Febraban sentiu os efeitos de uma campanha coordenada desde o final do ano passado. Um levantamento da entidade indicou um pico de ataques, que ocorreu em um intervalo de 36 horas, entre os dias 26 e 29 de dezembro, estendendo-se até 5 de janeiro.

Por meio de nota, a Febraban confirmou à reportagem da Gazeta do Povo que houve um "volume atípico" de menções relativas ao noticiário da liquidação do Master. A entidade também confirmou que apura se tais publicações seriam um ataque coordenado, notando que já houve "diminuição no volume". A Febraban também disse que seus monitoramentos são para "consumo interno".

Um dos focos das críticas é Renato Dias Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, responsável por negar a compra do Banco Master pelo BRB. Uma das peças de desinformação dizia: “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”. A narrativa buscava reforçar a ideia de uma decisão precipitada do BC, que resultaria em prejuízo aos cofres públicos.

A influenciadora Juliana Moreira Leite, que também possui um milhão de seguidores, foi outra a denunciar a abordagem. “No mesmo dia em que recusei, vi muitos influenciadores questionando por que o Banco Master foi liquidado. Tem gente que tem preço e tem gente que tem valor”, declarou em suas redes sociais.

O BC ainda não comentou publicamente o assunto. A reportagem não conseguiu contato com os influencers envolvidos nem com o Banco Master. O espaço segue aberto.

Inspeção do TCU

As postagens da campanha centralizam decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou na segunda-feira uma inspeção urgente no BC para apurar a decisão que levou à liquidação extrajudicial do banco de Daniel Vorcaro.

A medida foi iniciativa do ministro Jhonatan de Jesus, que quer examinar documentos, reconstruir o processo decisório da autoridade monetária e avaliar se houve motivação, coerência e proporcionalidade no caso.

Banco Master está no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB) que podem chegar a R$ 12 bilhões, o que culminou na decretação da liquidação pelo Banco Central. O ministro do TCU afirmou que, neste momento, não cabe uma decisão cautelar para reverter o processo, mas deixou claro que essa possibilidade não está descartada.

Contrato milionário

A teia de acontecimentos em torno da liquidação do Master teve um importante desdobramento: a descoberta de um contrato da esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que previa o pagamento de R$ 129 milhões em três anos, de acordo com uma das provas apreendidas pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero, no final do ano de 2025.

Tal descoberta inaugurou um movimento da oposição ao governo, que tenta a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito e um pedido de impeachment para Moraes.

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