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Inovação com sotaque pernambucano

O Instituto C.E.S.A.R, do Recife, tornou-se referência no Brasil graças a uma filosofia que acredita que inovar não é apenas colecionar patentes

  • Breno Baldrati
Diego Garcez, diretor da unidade do C.E.S.A.R em Curitiba: demanda de empresas do Sul atraiu filial do instituto |
Diego Garcez, diretor da unidade do C.E.S.A.R em Curitiba: demanda de empresas do Sul atraiu filial do instituto
 
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Inovação com sotaque pernambucano

Equipada com um tela sensível ao toque, acesso à rede wi-fi e com funções como aviso de vencimento de produtos e envio de lista de compras para o celular, a nova geladeira inteligente da Brastemp nasceu em um escritório da Rua Padre Agostinho, no Bigorrilho, em Curitiba. Encomendada pela Whirpool, de Joinville, dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, o eletrodoméstico foi desenvolvido pelo escritório local do C.E.S.A.R, o Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife.

Presente na capital paranaense desde 2009, o instituto de inovação nasceu na capital pernambucana em 1996. Em um país que raramente vê projetos na área de inovação, o C.E.S.A.R tornou-se um símbolo de que é possível investir em engenharia de software para inovar e ganhar produtividade no Brasil.

Hoje o instituto vive desse tipo de projeto: é contratado por empresas e indústrias para encontrar soluções inteligentes para problemas específicos. No rol de trabalhos em desenvolvimento há desde aplicativos em português para as tevês da Samsung a um projeto de irrigação controlado remotamente (veja mais nesta página).

De 2002 a 2011, o faturamento do instituto – que não tem fins lucrativos e redireciona todo o lucro a investimentos no próprio C.E.S.A.R – passou de R$ 20,5 milhões para quase R$ 60 milhões. Tinha 300 empregados, hoje conta com quase 600. Cerca de 70% da receita provém da lei da informática, que obriga empresas do setor que recebem isenção fiscal a investir em pesquisa e desenvolvimento.

Como surgiu?

Conhecer o contexto histórico em que foi criado é importante para entender como o C.E.S.A.R se tornou referência no Brasil. O instituto nasceu de professores egressos da Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) insatisfeitos com a relação entre academia e mercado. Naquele momento, em 1996, o estado possuía uma vasta mão de obra qualificada na área de informática, mas faltavam vagas.

Duas décadas antes, Miguel Arraes, então prefeito do Recife, havia trazido para a cidade o primeiro computador IBM no Brasil. Como lidar com o computador exigia profissionais com conhecimento de programação, a IBM montou uma escola na cidade. O Recife passou a atrair alunos de toda a região Nordeste interessados na área. Outras empresas passaram a se instalar na região e a formar profissionais.

Os ventos mudaram no início dos anos 1990, quando a situação econômica de Pernambuco começou a se deteriorar. Dos quatro bancos presentes no estado em 1975, não sobrou um com a morte do Banorte, em 1996 – os bancos estavam entre os maiores empregadores de mão de obra do setor de informática. A centralização da economia em São Paulo fez as empresas migrarem. Em pouco tempo, os engenheiros estavam comemorando quando conseguiam um emprego como taxista.

“No auge da confusão, com o fim do Banorte, ficou óbvio que a relevância do trabalho da universidade iria diminuir”, diz Silvio Meira, cientista-chefe do C.E.S.A.R e um dos fundadores da instituição. “Um grupo de professores começou a pensar em alternativas. Nós achávamos que era possível fazer algo diferente com software. Em tese, só em tese, o que você precisa para inovar, para obter resultados criativos, é de um galpão, eletricidade, ar-condicionado e laptops.”

Problema

O pulo do gato do C.E.S.A.R foi focar em resolver problemas reais do mercado – e ganhar com isso para crescer. Diferentemente de boa parte da universidade hoje, que continua distante do mercado, o instituto do Recife conseguiu ser visto pelas empresas como um solucionador de problemas. “Inovação não é patente na prateleira. Não há nenhuma evidência de que existe relação entre número de patentes e performance no mercado”, diz Meira.

Um dos primeiros casos de sucesso do instituto foi a criação de uma empresa para a leitura de cartões para o supermercado Hiper. Com apenas alguns pontos de venda no interior do Nordeste, a empresa era relegada ao segundo plano pelas grandes bandeiras. “Trinta máquinas no interior do Piauí contra 300 em Piracicaba. Não tinha como competir”, conta Meira. O Hipercard garantiu a operação de 4 mil terminais, caso o C.E.S.A.R conseguisse desenvolver um terminal próprio para a leitura de cartões.

“Montamos uma força-tarefa. Entendemos o que era preciso fazer e saímos para contratar as pessoas que sabiam o que era preciso ser feito. Do zero, desenvolvemos uma tecnologia própria e começamos a crescer a taxas maiores de 100% ao ano”, diz o cientista. A eCapture.com, empresa criada pelo instituto para operar os terminais, acabou sendo vendida para o Unibanco com uma taxa de retorno de investimento de 43% ao ano.

O repórter viajou a convite do C.E.S.A.R

Conheça alguns dos projetos do C.E.S.A.R

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