| Stephen Lam/AFP
| Foto: Stephen Lam/AFP

Pense duas vezes antes de clicar naquele link estranho que apareceu há pouco na tela do seu celular ou computador: a chance de cair em uma armadilha virtual é maior do que você imagina. Levantamento divulgado neste mês pela empresa de segurança Norton mostra que, neste ano, 42,4 milhões de brasileiros já foram vítimas de crimes cometidos pela internet, número que equivale a 39% dos usuários com acesso à rede – o porcentual é maior do que a média mundial verificada na pesquisa, de 31%, e coloca o Brasil no topo dos países mais suscetíveis a este tipo de ameaça.

As consequências do cibercrime vão muito além dos vírus que se limitam a paralisar os dispositivos. Segundo a Norton, o prejuízo causado pelos ataques a internautas brasileiros chega a US$ 10,3 bilhões (cerca de R$ 35 bilhões, na cotação atual) somente em 2016. Valor que sai da carteira do usuário por uma série de desvios: compras indevidas no cartão de crédito e em aplicativos para celulares, operações financeiras irregulares e até pagamento de resgate por ramsomware (quando o hacker toma controle do dispositivo e só o libera em troca de dinheiro).

Nos 21 países pesquisadas pela Norton, o prejuízo total chega a US$ 125,9 bilhões – o Brasil só fica atrás dos Estados Unidos em valores perdidos para hackers (veja infográfico abaixo). Seja aqui ou lá fora, uma das armadilhas mais comuns é a coleta de dados pessoais e invasão dos dispositivos por meio de phishing. O termo em inglês designa a prática de criar e-mails, programas e sites falsos para induzir o internauta a erro, fazendo com que ele, muitas vezes, compartilhe informações sigilosas por conta própria.

Entre os usuários brasileiros entrevistados pela Norton, 68% disseram ser capazes de detectar corretamente os e-mails de phishing. Mas visto o número de internautas afetados, é possível que essa confiança não se traduza tanto na realidade.

“Os criminosos estão criando phishings cada vez mais perfeitos, em épocas propícias, trazendo, por exemplo, uma versão falsa do site da Receita Federal em nos meses da declaração do Imposto de Renda. Não há mais aqueles erros grosseiros de português que davam muito na cara. Está se tornando cada vez mais difícil pro usuário distinguir os sites e aplicativos falsos dos verdadeiros”, relata o engenheiro de segurança da Norton Nelson Barbosa.

Cuidados

Nestes casos, não há muito o que fazer para evitar cair nas armadilhas. Antes de tudo, é essencial redobrar a atenção na hora de visitar sites e baixar aplicativos, para se certificar de que a página e o programa são mesmo os “oficiais”. Apps de segurança disponíveis para celulares, como o Norton Security & Antivirus (baixe para Android) e o PSafe Total (Android) analisam os aplicativos antes e depois da instalação para se certificar de que os programas são seguros.

A velha – mas ainda pouco usada – dica de criar diferentes senhas para diferentes serviços segue também como um cuidado essencial. “O usuário precisa adotar a consciência de que ele tem que tomar as mesmas medidas de proteção no mundo digital que ele toma no mundo real. A gente não sai de casa sem fechar porta, não fechamos o carro sem acionar o alarme. E a principal chave de segurança na internet é a senha. Colocar a mesma senha para tudo é uma armadilha perfeita”, reforça Barbosa.

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