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Carro autônomo do Google em teste nas ruas nos Estados Unidos | Divulgação/Google
Carro autônomo do Google em teste nas ruas nos Estados Unidos| Foto: Divulgação/Google

Um dos grandes mistérios envolvendo carros autônomos, que ainda precisa ser resolvido, é quem responsabilizar em casos de acidentes. Alguns especialistas acreditam que as montadoras dos veículos vão começar a assumir cada vez mais responsabilidade nestas ocasiões, mas muitas companhias de seguros ainda estão relutantes em abraçar a questão, devido à falta de regulamentação que cerca o mercado.

Mas ao menos uma companhia do setor enxergou uma oportunidade em um negócio em que outras temem pisar. Em um movimento que provavelmente não tem precedentes, uma companhia de seguros britânica começou a oferecer uma apólice especial voltada para veículos autônomos e parcialmente autônomos. Em tese, o motorista vai poder recorrer ao seguro para dirigir um carro autônomo do Google ou o automóvel da Tesla equipado com piloto automático.

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Infelizmente, a opção só está disponível no Reino Unido. Mas a apólice protege contra todos os tipos de problemas que o motorista geralmente encontra em um seguro tradicional, como estragos, fogo e roubo. E vai além, cobrindo acidentes causados pelo mau funcionamento do sistema de direção autônoma do carro, mesmo que o passageiro (no caso, o responsável pelo veículo) tenha falhado em usar o controle manual.

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O seguro cobre ainda qualquer dano que hackers possam causar ao sistema operacional do carro – inclusive se o sistema utilizado não for o mais recente disponibilizado pelo fabricante. E, por fim, também cobre percalços que possam eventualmente ocorrer se o automóvel ficar “offline” ao perder sua conexão por satélite ou outras tecnologias.

Abrindo caminho

Ao trazer uma opção de apólice tão cedo – e tão completa – a corretora de seguros Adrian Flux pode estabelecer precedentes que serão seguidos por outras empresas, apostam especialistas.

“É um primeiro passo corajoso e algo que vamos ver cada vez mais e mais”, afirma o vice-presidente para o setor automotivo da consultoria J.D. Power and Associates, Renee Stephens. “Mesmo sendo algo no Reino Unido, pode influenciar como as seguradoras vão agir aqui nos Estados Unidos, assim que nos aproximamos da próxima geração destas tecnologias nos veículos”, completa.

O que isto significa para os donos dos veículos? Potencialmente, pode levar a preços mais baixos.

A automação de veículos pretende tornar os automóveis mais seguros e mais eficientes; hoje, já há carros nas ruas que podem prevenir o motorista de se aproximar demais da traseira do veículo à frente e também evitar colisões laterais se o condutor começar a trafegar fora da sua faixa. Carros totalmente autônomos, particularmente os que conseguem se comunicar entre si, representam outra evolução neste cenário.

A previsão é que mais de 30 mil pessoas morram em acidentes de carro este ano, com a maior parte dessas colisões causadas por erro humano. Softwares capazes de agir rapidamente e tomar decisões inteligentes sobre como dirigir melhor podem diminuir este número substancialmente, afirmam analistas do setor.

Seguros são projetados para servirem como uma proteção contra calamidades; quando estas se tornarem raras, o preço do seguro vai cair.

“Estimamos que os prêmios de seguros para carros autônomos serão consideravelmente mais baratos do para carros regulares, simplesmente devido à redução esperada no número de acidentes e chamadas dos usuários”, afirma Matt Ware, porta-voz da Adrian Flux.

Mesmo que isso signifique uma receita menor para as seguradoras, o baixo índice de acidentes fará com que as companhias economizem no geral, já que não precisarão arcar com tantos pagamentos aos segurados.

Perfis diferentes

Inevitavelmente, as pessoas ainda vão querer dirigir com as próprias mãos. E, ao contrário do Google, algumas montadoras provavelmente vão continuar a manter volantes, pedais de freio e outros equipamentos em seus carros para atender a estes usuários. Como resultado, as estradas e ruas do futuro vão ver um mix de diferentes tipos de veículos, autônomos e “tradicionais”.

“Os prêmios dos seguros vão simplesmente refletir os fatores de risco que cercam cada um destes grupos da mesma maneira que ocorre hoje, baseado nos dados de sinistros registrados ao longo do tempo”, diz Ware.

Certamente não se irá tão longe a ponto de seguradoras oferecerem descontos nas apólices para motoristas que migrarem para carros autônomos. Mas, do modo como as coisas estão indo, donos de veículos autônomos vão ganhar em breve novos benefícios além de economizar dinheiro em combustível, tempo e acidentes.

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