Caso seja mantida a velocidade de criação de postos de trabalho nos próximos dois meses, em julho o Brasil deverá voltar ao nível médio de geração mensal de 200 mil vagas, afirmou o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann. Segundo ele, a criação de 106.205 postos apurada em abril pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) em todo o país foi uma surpresa positiva em relação às 34.828 vagas abertas em março. "A reação favorável apontada pelos dados do Caged foi causada pela melhora da economia, motivada sobretudo pela política anticíclica adotada pelo governo, que incluiu a redução de impostos", comentou. Na sua avaliação, o saldo positivo de empregos no país deve ficar próximo a 600 mil vagas neste ano, número inferior aos 1,4 milhão de empregos formais abertos em 2008.
Timidez
O estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil, Roberto Padovani, tem opinião diferente. Ele disse que, apesar de o Ministério do Trabalho divulgar que a quantidade de empregos formais criada no país em abril mostrou uma recuperação em relação aos números de março, o movimento ainda foi bastante tímido ante as perdas observadas após os efeitos da crise internacional na atividade nacional. Padovani avaliou que os números do mês passado foram até melhores do que uma parte do mercado esperava, mas, quando a comparação é feita com outros períodos, como o mesmo mês de 2008, os resultados ainda são insatisfatórios. "Seja no acumulado de 12 meses, na comparação interanual ou retirando efeitos sazonais, nota-se que, da mesma maneira que o emprego industrial, o emprego formal não parece reagir muito", comentou.



