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O juro médio cobrado pelos bancos caiu pelo sétimo mês consecutivo e atingiu 41,5% ao ano em setembro, mantendo-se no menor patamar desde junho de 2000, quando teve início a série histórica do Banco Central. O recuo entre agosto e setembro foi de 0,4 ponto porcentual e, desde o início do ano, a queda acumulada chegou a 4,4 pontos. Os dados foram divulgados ontem, pelo Departamento Econômico do Banco Central.

O juro para pessoa física recuou apenas 0,1 ponto porcentual entre agosto e setembro, e segue no menor nível desde julho de 1994, quando o Banco Central começou a publicar dados sobre essa modalidade. Os juros do crédito consignado, que tem desconto na folha de pagamento do cliente, também tiveram leve queda no mês passado, de 34,9% para 34,7% ao ano. No caso das empresas, a taxa anual caiu de 27,9% para 27,3%, patamar mais baixo desde outubro de 2002.

A redução dos juros ao longo de 2006 é reflexo, principalmente, do afrouxamento da política monetária do BC, que desde setembro do ano passado vem diminuindo a taxa básica de juros (Selic), que serve de referência para os empréstimos. No entanto, o juro cobrado de empresas e consumidores não recuou tanto quanto a Selic. Em 2006, a taxa básica caiu de 18% para 13,75% ao ano, o que equivale a um recuo de quase 24%. Enquanto isso, o juro médio cobrado pelos bancos recuou menos de 10%.

Uma das explicações para isso é a diferença entre a taxa que o banco paga para captar dinheiro e a taxa que ele cobra do cliente. Essa diferença, chamada de "spread", caiu apenas 1 ponto porcentual desde janeiro. De agosto para setembro houve alta, de 27,5 para 27,8 pontos porcentuais.

"A carga tributária sobre operações financeiras é alta, assim como a inadimplência. Isso força os bancos a se precaver frente à possibilidade de não-pagamento", explica Luiz Afonso Cerqueira, vice-presidente de finanças do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-PR). Mas existe outro motivo para o spread ser tão alto: a baixa concorrência do setor bancário. "São poucos grandes bancos que dividem entre si o mercado, em condições muito parecidas de crédito", diz Cerqueira.

Crédito

Em setembro, o total de empréstimos concedidos pelos bancos aumentou 1,3% sobre agosto, atingindo R$ 682,9 bilhões no acumulado do ano – volume 12,5% superior ao do mesmo período de 2005. O crédito concedido em 2006 equivale a 33% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Essa proporção vem crescendo – em agosto era de 32,8% e, há um ano, estava abaixo de 30% –, o que é um indicador positivo para a economia.

Para o economista Carlos Cleto, professor da Unifae, as taxas de juros tendem a continuar caindo e o volume de empréstimos, subindo – o que se reflete em aumento do consumo pelos cidadãos e dos investimentos por parte das empresas. Ademir Clemente, professor de Ciências Contábeis da Universidade Federal do Paraná, acredita que as seguidas reduções dos juros devem provocar um movimento consistente de novos investimentos, e sem que ocorram bolhas de consumo, que poderiam provocar inflação. "Mesmo que o Banco Central tenha reduzido a Selic com muita lentidão, o resultado acabou sendo positivo", avalia.

No entanto, adverte Cleto, da Unifae, o maior acesso ao crédito também pode se refletir em aumento da inadimplência. Segundo o Banco Central, a inadimplência de pessoas físicas e empresas subiu 0,2 ponto porcentual de agosto para setembro. Desde o início do ano, a inadimplência das pessoas físicas subiu de 6,7% para 7,8%, enquanto a proporção de empresas que não estão pagando suas dívidas subiu de 2% para 2,7%.

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