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Política monetária

Juro básico vai a 8,75% ao ano, mas BC indica fim dos cortes

Comitê de Política Monetária reduz a Selic em 0,5 ponto porcentual. Taxa é a mais baixa da série histórica, iniciada há 13 anos

Veja o histórico da taxa e projeções para o mercado |
Veja o histórico da taxa e projeções para o mercado (Foto: )

O Banco Central sinalizou que o processo de queda dos juros iniciado em janeiro pode ter chegado ao fim. Por unanimidade, os membros do Comitê de Política Monetária do BC (Copom) cortaram em 0,5 ponto porcentual a taxa Selic, que a partir de hoje é de 8,75% ao ano, e afirmaram que o novo nível é consistente para controlar a inflação e estimular a recuperação da economia "ao longo do horizonte relevante". Com essa decisão, que leva o Brasil de terceiro para quinto no ranking de maiores juros reais (descontada a inflação) do mundo, os fundos de renda fixa tendem a ficar ainda menos atraentes do que a poupança, uma vez que sua rentabilidade está atrelada à Selic (leia mais no texto abaixo).

De janeiro para cá, a Selic, que serve de parâmetro para as operações de curto prazo feitas entre bancos e o BC, foi reduzida em cinco pontos porcentuais. Desde o mês passado a taxa se encontra no nível mais baixo desde a criação do Copom, em 1996. O atual índice melhora a condição do país em captar investimentos produtivos e recuperar a economia, afetada pela crise econômica internacional.

A decisão anunciada ontem já era prevista pela maioria dos economistas. "Apesar de a inflação estar sob controle no momento e das incertezas a respeito do cenário adiante, existem fortes evidências de que a economia brasileira já está em processo de recuperação, o que pode gerar pressão nos preços no início de 2010", diz o analista da WinTrade, José Góes. Desse modo, de acordo com ele, a autoridade monetária deverá manter a taxa no atual patamar, ou promover no máximo um ajuste fino, para 8,5%.

A incerteza se explica por uma série de fatores. De um lado, os indicadores econômicos conhecidos até agora não permitem que se afirme com certeza que o país já retomou, de fato, um ritmo de crescimento sustentável. Apesar dos bons resultados que vêm sendo alcançados por setores como o de serviços, na indústria a produção ainda patina, e o emprego permanece estabilizado num nível relativamente baixo.

De qualquer maneira, a mudança deve trazer novidades no ponto de vista produtivo e especulativo, segundo analistas. "Com a taxa de juros mais baixa, fica mais barato para as empresas investirem em produção, e o financiamento de bens para pessoas físicas também se torna mais acessível em médio prazo. Isso tudo proporciona investimentos reais na economia, que em médio prazo se refletem em mais produção e incremento do Produto Interno Bruto (PIB)", diz o professor da Trevisan Escola de Negócios, Alcides Leite.

O economista sênior da consultoria Uptrend Thiago Davino raciocina de forma semelhante. "Como a queda na Selic desmotiva o investidor a buscar aplicações de renda fixa, ao mesmo tempo contribui diretamente para o desenvolvimento da bolsa de valores brasileira – tanto pela maior lucratividade da bolsa quanto pelo maior estímulo que as empresas têm em entrar no mercado de ações. Isso beneficia o setor produtivo", diz.

Nova etapa

Os cortes na taxa básica realizados nesse ano já tiveram impacto sobre os juros cobrados pelos bancos para empresas e pessoas físicas. No ano passado, mesmo com a taxa Selic estável, os juros bancários subiram devido à falta de recursos para crédito no mercado financeiro causada pela crise.

O aumento do crédito e a queda na taxa básica ajudaram, no entanto, a melhorar esse quadro. Segundo pesquisa do próprio BC, a taxa média do crédito bancário para o consumidor no país está hoje em 47,3% ao ano. Em novembro do ano passado, chegou a quase 60% ao ano. No mesmo período, a taxa do cheque especial recuou de quase 175% para 168% ao ano.

De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), a queda dos juros produzirá mais efeitos indiretos do que diretos na economia. Para a associação, uma taxa mais baixa reduz a rentabilidade dos bancos em aplicações de títulos públicos. Isso leva os mesmos a emprestar mais, provocando maior competição no mercado de crédito e, consequentemente, queda nas taxas.

Próxima reunião

O próximo passo do BC em relação aos juros será conhecido na primeira semana de setembro, na próxima reunião do Copom. O comitê se reúne a cada 45 dias, aproximadamente, em oito encontros anuais. As reuniões seguintes serão no final de outubro e início de dezembro.

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