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Futuro do trabalho

4 profissões que devem ser “varridas” pela tecnologia (e quatro que vão sobreviver)

Especializado em neurociência e inteligência artificial, o professor Nelson Gonçalves, da FGV, também listou profissões que não devem ser substituídas pela inteligência artificial tão facilmente

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Segundo o professor Nelson Gonçalves, da FGV, o  futuro dos transportes é o avião autônomo, o carro autônomo, como já tem o trem de metro autônomo em SP. | Pixabay
Segundo o professor Nelson Gonçalves, da FGV, o futuro dos transportes é o avião autônomo, o carro autônomo, como já tem o trem de metro autônomo em SP. Pixabay
 
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A inteligência artificial está cada vez mais presente no nosso dia a dia e já interfere diretamente no mercado de trabalho. E o professor especializado em neurociência e inteligência artificial Nelson Gonçalves, da FGV, destaca que não há nenhum problema em profissões serem substituídas pela tecnologia.

“A tecnologia sempre destruiu empregos. No caderno de empregos do jornal de 1972 os empregadores procuravam kardexista. Era um trabalho com um método de controle de estoque, baseado em uma planilha escrita à mão. Esse emprego foi varrido [pela tecnologia]. Ainda bem. Esse profissional foi fazer outra coisa”, disse Gonçalves durante o evento Data Driven, organizado pela empresa Neoway, especializada em big data.

LEIA MAIS: Novas tecnologias fazem trabalhadores abandonar o barco no McDonald’s

“É evidente que a tecnologia varre empregos, e sempre varreu, desde a revolução industrial. Não estamos diante de nenhum processo novo. Então essa [visão] apocalíptica de falar que a IA vai te desempregar, e te transformar em uma pessoa inútil, não faz sentido”, continuou o professor da FGV. A extinção de algumas carreiras não será necessariamente

Ele listou algumas profissões que devem desaparecer, em algum momento, por conta do avanço da tecnologia e da inteligência artificial. “Olhando para frente e fazendo um exercício sério, dá para dizer que essas profissões vão ser ‘varridas’ pela inteligência artificial. Ou pelo menos o mercado de trabalho vai ficar muito mais restrito do que ele é hoje”, disse.

Piloto de avião

“A linha 4 do metrô em São Paulo já é uma linha autônoma. O futuro é o carro autônomo. E o futuro é o avião autônomo. Vocês podem perguntar:  ‘Ah, mas você não teria medo de um avião autônomo’? Antes as pessoas tinham medo dos automóveis. Porque o carro andava a incrível velocidade de 40 km/h. então é natural que haja um certo receio da tecnologia, de algo que você desconhece. Isso é normal. Mas o futuro dos transportes é o avião autônomo, o carro autônomo, como já tem o trem de metro autônomo em SP.

Trabalhador de confecção têxtil

“Isso é altamente robotizável. Graças a Deus, porque essas pessoas tendem a ter LER. Problemas de visão. Elas aspiram poeira”.

Soldador

“Tomara que o soldador desapareça rápido porque esse profissional aspira gases tóxicos. Ele sente aquele cheiro de tinta na linha de produção. Melhor robotizar isso tudo rapidamente”.

Contador

Ele vai ter muito menos espaço no mercado de trabalho nos próximos anos. Já tem plataformas hoje em dia de contabilidade. Se você colocar os dados corretamente, já gera automaticamente todos os demonstrativos contábeis. Já informa a Receita Federal. Dá a DARF. Se tiver saldo na conta PJ já paga também. Então vão ser necessários muito menos contadores em um futuro próximo”

Profissões que não devem desaparecer

Gonçalves também listou algumas profissões que não devem ser substituídas pela inteligência artificial tão facilmente.

Pedreiro

“Obra dá problema. Você tende a industrializar a construção civil, o que é outra coisa. Vamos dar um exemplo. A parede vem pré-moldada e a pessoa encaixa. Nesse momento, ela percebe que o contrapiso não está alinhado. Por que? Porque você depende de outras pessoas, que fizerem outras fases da obra antes de você. Quando você lida com muitos seres humanos, que têm muitas possibilidades de cometer erros, você tem dificuldade de fazer a IA invadir estas áreas”.

Odontopediatra

“Este profissional tem que olhar no olho da criança. Precisa que ter a empatia que a IA não tem. Colocar-se no lugar do outro. Ter o neurônio espelho. Tentar simular em si a condição do outro e tomar atitudes corretivas. O diagnóstico, sim, pode ser feito por IA. Mas é preciso lidar com a emoção humana, que é muito mais complexa e não é modelável por algoritmos”.

Gestor financeiro

“As pessoas não querem tomar decisões tão racionais em relação às suas finanças. No Brasil, durante muito tempo, comprar um imóvel era uma decisão completamente irracional. A taxa de juros era tão alta, que você deveria pegar o dinheiro que colocaria no imóvel, investir e pagar aluguel. Essa era a decisão racional. Mas e a satisfação íntima que eu tenho de ter a minha própria casa? Como se mede isso. Então se você toma uma decisão baseada em algoritmo e está aplicando seu dinheiro e vivendo de aluguel, eu não quero fazer isso e não farei. O gestor financeiro precisa fazer essa leitura”.

Carreiras associadas a terceira idade

“Neste caso, o fator humano é muito importante. O personal trainer da terceira idade, por exemplo. Ele tem que ter muito mais capacidade empática do que capacidade de exercitar os músculos de um idoso”.

 

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