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Pesquisa

60% das empresas não se importam com o tempo de deslocamento dos funcionários

Embora a maioria das empresas não se preocupe com o tempo gasto pelos colaboradores no deslocamento, mas metade deles aceitaria ganhar menos para trabalhar mais perto de casa

  • Carol Nery Especial para a Gazeta do Povo
Pesquisa mostra que 49% dos entrevistados estariam dispostos a abrir mão dos benefícios ou mesmo a ganhar até 10% a menos se pudessem trabalhar mais perto de casa. | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
Pesquisa mostra que 49% dos entrevistados estariam dispostos a abrir mão dos benefícios ou mesmo a ganhar até 10% a menos se pudessem trabalhar mais perto de casa. Daniel Castellano/Gazeta do Povo
 
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Grande parte das empresas acredita que os fatores mais importantes para manter colaboradores motivados são, em síntese, remuneração, ambiente de trabalho e reconhecimento, não necessariamente nesta ordem. Porém, há um novo fator existente e que se manifesta com força: a gestão de tempo desses colaboradores. Um levantamento sobre mobilidade realizado pelo Instituto PARAR em parceria com a MindMiners, especializada em pesquisa digital, mostra que 60% das companhias nunca demostraram preocupação com o tempo de deslocamento dos colaboradores de casa para o trabalho e vice-versa.

A pesquisa foi apresentada no mês de julho durante o InnovaBra, em São Paulo, para o lançamento oficial de um dos maiores eventos de mobilidade urbana, o WTM - Welcome Tomorrow Mobility 2018, que será realizado de 29 a 31 de outubro na capital paulista. Com uma amostragem de 1,5 mil pessoas de todas as regiões do Brasil, o estudo aponta que 49% dos entrevistados estariam dispostos a abrir mão dos benefícios ou mesmo a ganhar até 10% a menos se pudessem trabalhar mais perto de casa.

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Tempo é vida. Quando perdemos muito tempo nos deslocando ao trabalho, estamos perdendo parte da nossa vida e a chance de fazer coisas que realmente fazem sentido para nós. Evitar deslocamentos desnecessários é cuidar, principalmente, da nossa qualidade de vida”, afirma Flávio Tavares, fundador do Instituto PARAR

Segundo ele, a empresas têm hoje o grande desafio de reavaliar o modelo de trabalho. “Por incrível que pareça, as pessoas ainda não são o centro da maior parte das organizações. Falta um olhar mais humano. Elas buscam culpados e dizem que precisamos de transporte público mais eficiente, mais metrô, mais dinheiro público para melhorar a mobilidade. É preciso sim melhorar as condições de transporte, mas chegou a hora de as empresas repensarem as soluções, com medidas como horários flexíveis, home office, incentivo a caronas entre colaboradores e ao uso de bicicletas e fretados.”

Por outro lado, muitas empresas estão agindo, com eficiência, comenta Tavares. É o caso do Santander, por exemplo. Quando construíram a nova sede em São Paulo, fizeram um estudo do impacto da mobilidade que haveria com 4 mil pessoas se deslocando no mesmo horário naquela região. Além disso, fizeram uma série de ações, como fretados, carona, horários flexíveis, bicicletário e vestiários para os ciclistas, entre diversas outras. “Com isso, conseguiram tirar de circulação mais de 2 mil veículos do trânsito da região diariamente.”

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Flávio Tavares, fundador do Instituto PARAR: “Tempo é vida. Quando perdemos muito tempo nos deslocando ao trabalho, estamos perdendo parte da nossa vida e a chance de fazer coisas que realmente fazem sentido para nós”. Osiris Bernardino/Divulgação

A BASF também investe muito nesse tema, com o incentivo ao uso de aplicativos de mobilidade e um serviço de carsharing à disposição dos colaboradores. A Cisco tem o conceito do “anywhere office” e usa toda sua tecnologia para deixar com que seus colaboradores definam sua agenda de trabalho independentemente de onde estejam. O mesmo acontece na Volvo, que tem esse conceito muito amadurecido. “Hoje a empresa tem 10% menos mesas de trabalho do que colaboradores.”

Outro ponto de destaque da pesquisa é que apenas 5% das empresas oferecem crédito mensal em aplicativos de mobilidade, como Cabify, Uber e 99, e 3% oferecem a possibilidade de utilizar espaços de coworking. Em relação ao home office, 77% dos colaboradores revelaram que as empresas não oferecem esta opção.

“Ao oferecer medidas como o home office e o coworking, as empresas estão valorizando fatores como a mobilidade, a flexibilidade, o tempo e a qualidade de vida das pessoas. Mais liberdade gera mais inovação e as companhias que adotam essas medidas ganham em produtividade. Elas entendem que mais importante do que onde o colaborador está é o que ele entrega.”

Eletropaulo muda horário de expediente e cria app para conectar pessoas a modais

Empresa de distribuição de energia elétrica com cerca de 7 mil funcionários, a Eletropaulo investiu forte em medidas para facilitar a mobilidade dos seus colaboradores e oferecer melhor qualidade de vida, garantindo assim melhora de produtividade e engajamento. Em 2012, a companhia mudou-se da região central de São Paulo (e de outros escritórios espalhados pela cidade) para uma sede própria no Alphaville, a 25 quilômetros de distância. Além de afastada, a nova localização tem escassez de transporte público e dificultou a vida de quem dependia deste meio para chegar ao trabalho.

A Eletropaulo adotou o uso do transporte fretado. São 27 linhas com capacidade para atender 1,5 mil funcionários do setor administrativos (os demais são da área operacional, atuando externamente). “Para fugir do trânsito em horários de pico e agilizar esse transporte, mudamos o horário de expediente. Ao invés de ser das 8h30 às 17h passou a ser das 7h às 16h”, conta o gerente de serviços compartilhados da Eletropaulo, Eduardo Bortotti. Segundo ele, o tempo médio que se perdia entre casa-trabalho-casa reduziu de 2h55 para 1h a 1h15.

Também foi instituído o sistema de home office pelo menos um dia na semana, com um índice de aprovação de 60%. “Em algumas áreas, pelo tipo de atividades, as pessoas ainda preferem estar na empresa.” O prédio, inclusive, comporta menos funcionários, em torno de 60 lugares, onde as pessoas trabalham dentro do conceito de workstation (sem mesa fixa). “Fazemos muita campanha interna, apontando os benefícios para a qualidade de vida, como a falta de necessidade de deslocamento, assim como melhor rendimento em atividades que demandam maior concentração”, comenta Bortotti.

Aplicativo vai ajudar a escolher o melhor meio de transporte

Outra medida, ainda em teste, é a oferta de um aplicativo, que está sendo desenvolvido pela startup Mobicity, com investimento de R$ 400 mil. Entre várias funções, a plataforma permitirá escolher o melhor modal para deslocamentos, seja para uma reunião ou outra atividade externa, com base em um método matemático e de inteligência artificial, considerando tempo de trajeto e custos envolvidos. Segundo o gerente, estudos de viabilidade mostram que dessa forma é possível reduzir em 18% as 360 mil chamadas por transporte feitas ao ano, entre idas e vindas de aeroportos, reuniões e vistorias, gerando uma economia anual de R$ 1,2 milhão para a Eletropaulo.

O modelo contempla ainda o deslocamento pessoal. “Caso o funcionário tenha uma reunião fora da empresa, por exemplo, o app irá calcular se é melhor ir com o carro da empresa, com aplicativo de mobilidade ou alugar um carro, por exemplo. Assim como, poderá detectar se tem mais alguém indo para a mesma região, que pode pegar carona no mesmo veículo.” A expectativa, afirma Bortotti, é reduzir a frota de 450 veículos da empresa para 100 já nos primeiros seis meses.

Em um segundo momento, o aplicativo da Eletropaulo poderá sugerir caronas entre os funcionários, mapeando quem os vizinhos. Ele cruzará as informações, como endereço, horários de entrada a saída do trabalho, trajeto. “Quem não opta pelo fretado usa uma de nossas 350 vagas de estacionamento. Como incentivo à carona, para diminuir o impacto destes veículos no trânsito, a empresa bancará esta mensalidade. É uma forma eficiente, colaborativa e que promove a qualidade de vida, sem contar o networking.”

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