
O sistema de governança corporativa amadureceu na última década, mas ainda precisa de aperfeiçoamentos, como a avaliação dos conselheiros das empresas. Essa é a conclusão de um estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e pela consultoria Booz & Company e que compara entrevistas feitas em 2003 com um levantamento realizado no ano passado.
De acordo com a pesquisa feita com 300 grandes empresas, aumentou o número de executivos que conhecem as melhores práticas de governança corporativa e as aplicam no dia a dia da companhia. Também houve um avanço na composição dos conselhos de administração, que passaram a ter um número maior de conselheiros independentes eles passaram de 8% para 22% do total de membros, quesito importante para aumentar a eficiência desse instrumento de gestão.
"Muitas vezes o conselho de administração tem de dizer o que os gestores das empresas não querem ouvir. Por isso a importância de conselheiros independentes", explica Marcio Kaiser, coordenador do IBGC no Paraná. Segundo ele, um conselho é peça fundamental para implantar uma política de boa governança e tem quatro funções principais: traçar estratégias, monitorar a administração, ajudar a gerir pessoas e analisar riscos.
Evolução
Com a importância dos conselhos bem compreendida pelas empresas, falta ainda aperfeiçoar seu funcionamento. A pesquisa do IBGC mostra que em 79% das companhias não existe um mecanismo formal de avaliação dos conselheiros. Ao mesmo tempo, há uma certa frustração sobre a qualidade do trabalho dos conselhos de 2003 para 2009 houve uma queda importante na satisfação com a formação das pautas dos encontros e com a dinâmica das discussões. Alguns dos executivos entrevistados contam que há conselheiros apáticos, ou que apenas cumprem o que os sócios querem.
"Essa insatisfação pode ter muito a ver com a escolha dos conselheiros. Há também casos de empresas nas quais os sócios simplesmente não querem ouvir o que o conselho diz", conta Kaiser. "A avaliação pode ser importante para melhorar o diálogo entre gestores e conselheiros."Outro ponto que pode ser melhorado no funcionamento dos conselhos é um envolvimento maior com as questões relacionadas à gestão de pessoas. Em somente 29% das empresas esse quesito entra como uma das responsabilidades dos conselheiros. "Há ainda uma certa resistência em envolver o conselho em questões ligadas à gestão de recursos humanos. Muitas vezes as empresas têm gente trabalhando ali há décadas e se fecham a mudanças mais profundas", comenta Kaiser.







