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Consumo

Mercado de produtos de luxo entra na primeira recessão dos últimos 6 anos

O consultor Carlos Ferreirinha diz que mercado de luxo terá freada | Daniel Castellano/Gazeta do Povo
O consultor Carlos Ferreirinha diz que mercado de luxo terá freada (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

Nem mesmo o mercado de luxo – que caminhava a passos largos – tem passado ileso à crise global. Dos carros mais caros aos pequenos acessórios, o setor como um todo já começa a sentir os efeitos da turbulência econômica, e deve ver seu ritmo de crescimento ser freado ao longo deste ano. Um movimento mundial, que também será sentido no Brasil – com a diferença que aqui ele tende a conter também uma dose de oportunidade.

"Mesmo se a crise não envolver efetivamente problemas no poder de compra, envolve desconforto emocional. E esse segmento está muito relacionado a decisões emocionais de consumo", diz o consultor Carlos Ferreirinha, especialista no mercado de luxo. "No Brasil, não será um ano de desespero. Mas não existe como passar incólume."

Ao longo dos últimos anos, o setor vinha crescendo, em média, 17% ao ano no país, segundo o levantamento do programa Gestão em Luxo da Faculdade Armando Álvares Penteado (Faap). Antes do início da crise, a expectativa para 2008 era um incremento de até 22% – os números da Faap ainda não foram anunciados, mas se espera algo em torno de 13%. "Para 2009, crescer entre 6% e 8% será um absoluto sucesso. É metade do ano passado, mas é preciso pensar que é um crescimento muito acima do PIB brasileiro", diz o consultor.

Mundo

Para o mercado mundial de bens de luxo, a consultoria Bain&Company estima um ano de recessão em seu estudo Luxury Goods Worldwide Market Share, divulgado no fim do ano passado. Se confirmado o declínio de 7% previsto para as vendas, será a primeira recessão do segmento em seis anos. As previsões do banco JP Morgan e da consultoria Eurostaf apontam para a mesma direção: uma retração de 4%.

Nos dois casos, a perspectiva de queda é atribuída principalmente à diminuição da demanda nos países mais ricos. Os chamados mercados "maduros" representam 80% das vendas mundiais de artigos de luxo, segundo o estudo da Bain&Company – a Europa sozinha responde por 38% do mercado. E mesmo que haja algum crescimento nos países emergentes, teme-se que ele não seja suficiente para compensar estas perdas e manter o nível positivo.

Posição estratégia

No mundo todo – e o Brasil não é exceção –, foram os grandes centros que começaram a sentir primeiro os impactos das turbulências internacionais. Internamente, diz Ferreirinha, é no eixo Rio-São Paulo que o mercado já sente a freada.

E aí é que pode surgir a oportunidade. "Com os grandes centros se fragilizando, o Brasil passa a ser uma alternativa, uma estratégia importante", diz. "O raciocínio é o mesmo internamente. As marcas já entenderam que há um outro país a explorar, além das fronteiras de São Paulo, e que não é possível depender exclusivamente de um grande mercado."

Na mesma linha, o estudo da Bain&Company estima que Brasil, Rússia, China e Índia, como mercados emergentes, terão os maiores aumentos nos negócios relacionados ao consumo de luxo nos próximos cinco anos.

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