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Mesmo com o câmbio favorável, Paraná exporta menos

Venda de produtos básicos, semi e manufaturados fabricados no estado caiu no primeiro semestre. Alta do dólar ajudou pouco os exportadores

Setor de madeira compensada foi o que mais aumentou as vendas ao exterior no 1º semestre. | Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Setor de madeira compensada foi o que mais aumentou as vendas ao exterior no 1º semestre. (Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo)

Apesar da ajuda do dólar valorizado, as exportações de produtos do Paraná caíram em todos os segmentos – básicos, semimanufaturados e manufaturados –no primeiro semestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2014. As vendas de manufaturados, em tese os mais beneficiados pelo câmbio, faturaram US$ 2,6 bilhões e registraram a menor queda (3,8%) nos embarques do estado. Enquanto isso, as commodities agrícolas, que não sofrem pressão do câmbio em suas cotações, amargaram retração de 18,4%, enquanto os semimanufaturados caíram 5,5%.

Apesar de ser inegável que o real depreciado torne os produtos industrializados (semimanufaturados e manufaturados) mais competitivos no mercado internacional, o cenário de câmbio favorável esbarra em limitações contratuais e na lentidão econômica dos países consumidores, que têm dificuldade em agilizar o fechamento de novos contratos de compra.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, afirma que mesmo que o produtor consiga vender imediatamente, existe um período de defasagem de pelo menos seis meses. “A taxa de câmbio ajuda, mas não é imediata. Ao contrário das commodities, quem compra manufaturados tem contrato. Então eu posso ter um preço bom agora, mas o possível comprador provavelmente já tem um contrato de fornecimento com alguém. E só quando esse contrato acabar é que ele poderá fazer uma nova compra”, diz.

Por este motivo, a reação do câmbio é tão difusa entre os setores dos manufaturados, que acabam dependendo mais da situação do mercado consumidor dos produtos. É o caso da indústria automotiva, que tem como principal destino dos produtos a vizinha Argentina alternando momentos de crises econômica com barreiras alfandegárias.

No primeiro semestre, os argentinos importaram US$ 143,9 milhões das montadoras e indústrias de autopeças do Paraná. Nos seis meses iniciais do ano passado, esse valor foi de US$ 176,2 milhões. Isso representa uma retração de 18,3%. Já as vendas de veículos para o México, segundo maior mercado do Paraná, cresceram 156,5%, mas o montante não foi suficiente para compensar o recuo no comércio com a Argentina.

Europa e EUA

No ranking dos principais produtos exportados pelas empresas do Paraná, o setor de madeira compensada foi o que mais cresceu no primeiro semestre, com US$ 185,3 milhões em embarques, o que representa um aumento 18,6% ante o ano passado. Os principais mercados do setor são alguns países da Europa, como Bélgica, Alemanha e Reino Unido, e também os Estados Unidos.

“Claro que a taxa de câmbio melhorou a condição de venda e tornou o produto brasileiro manufaturado mais competitivo, mas precisa ter mercado. E o mercado que temos hoje para eles é basicamente os Estados Unidos. Não temos tanto espaço para crescer porque não nos preparamos para exportar manufaturados”, diz Castro.

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