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Fiol e Fico

Ministros recomendam que Lula inclua trechos de ferrovias em plano de desestatização

Recomendação vai ao encontro de tendência do petista em conceder infraestrutura enquanto mantém estatais.
Recomendação vai ao encontro de tendência do petista em conceder infraestrutura enquanto mantém estatais. (Foto: Ministério da Infraestrutura)

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A ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, e o ministro dos Transportes, George Santoro, recomendaram que o presidente Lula (PT) inclua seis novos trechos de ferrovias federais no Programa Nacional de Desestatização (PND). Os trechos pertencem a dois corredores em construção de milhares de quilômetros.

Apesar do perfil resistente a privatizações, Lula tem aderido à concessão de equipamentos de infraestrutura. No final de 2025, o governo registrou um volume recorde de concessões e parcerias com o setor privado, com 50 leilões, sobretudo nos ministérios do Transporte e dos Portos e Aeroportos. O volume supera, em ritmo, o de gestões marcadas pelo apoio à pauta, como Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL).

Para lidar com a contradição, o Planalto ressalta a diferença entre privatização e concessão. Santoro prevê que o petista terminará seu mandato com 31 leilões de rodovias. A gestão leva em conta a situação delicada das contas públicas, embora mantenha a resistência a privatizar empresas estatais em estágio crítico, como os Correios.

A resolução foi publicada na edição desta quinta-feira (27) do Diário Oficial da União (DOU). Belchior assinou como presidente do Conselho do Programa de Parcerias e Investimentos da Presidência da República (CPPI).

A ferrovia Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) foi iniciada em 2011 e prevê a interligação entre os municípios de Ilhéus (BA), no litoral, e Figueirópolis (TO), no interior do país. O desenho orifinal previa 1.527 km, mas a extensão subiu para 1,8 mil km. Agora, estão na recomendação três trechos:

  • Ilhéus (BA) - Caetité (BA);
  • Caetité (BA) - Barreiras (BA);
  • Correntina (BA) - Mara Rosa (GO);

Já a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (Fico) foi projetada em 2009, mas as obras só começaram em 2021. Terá aproximadamente 1.641 km. Os trechos incluídos na recomendação complementam o caminho iniciado na Fiol:

  • Mara Rosa (GO) - Água Boa (MT);
  • Água Boa (MT) - Lucas do Rio Verde (MT);
  • Lucas do Rio Verde (MT) - Vilhena (RO).

A resolução também incorpora às normas antigas uma alteração já prevista por Bolsonaro em um decreto de 2020. Um texto de 2018 que disciplinava o mesmo assunto abrangia apenas o trecho entre Campinorte (GO) e Água Boa (MT). O ato publicado nesta quinta atualiza esse enquadramento para todo o corredor entre Mara Rosa (GO) e Vilhena (RO).

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