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Curitiba – A próxima safra de soja começa a ser plantada neste mês e deve ser formada por até 25% de grãos geneticamente modificados. No Paraná, grandes exportadores, como a Coamo, cooperativa de Campo Mourão, já anunciaram que colocarão à disposição dos produtores sementes transgênicas. Neste cenário, aumenta a probabilidade de uma maior mistura das variedades convencionais com as que usam a nova tecnologia, já que os exportadores vêem poucas vantagens em fazer uma segregação dos produtos.

"Vai ficar mais difícil para o mercado lidar com a proibição em Paranaguá porque haverá mais transgênicos para embarcar", prevê o presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes. "Não vale a pena correr o risco de ficar com a carga apreendida no Paraná", diz. Ao mesmo tempo, as empresas do setor temem que falte espaço em outros portos para completar a exportação.

Eficiência

Para o presidente da Federação da Agricultura do Mato Grosso (Famato), Homero Alves Pereira, no caso do plantio em massa das sementes transgênicas os exportadores do estado seriam atendidos por outros portos. "São Francisco tem se mostrado muito eficiente e permite a segregação nos terminais, enquanto Santos tem a vantagem de ser atendido por uma ferrovia que chega até o Centro-Oeste", explica. Outra opção que vem conquistando o agronegócio é o Porto de Manaus, que é servido por uma hidrovia cada vez mais usada para escoar a safra.

A proibição da soja transgênica em Paranaguá também levantou a oposição de terminais instalados no porto. Eles temem perder clientes para outros destinos. "O Paraná é formador de preço no mercado internacional e sempre foi o principal exportador de grãos do país", diz o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), Wilem Mantelli. "Os terminais têm interesse em investir ali, desde que haja uma mudança de postura."

O diretor da Sociedade Cerealista Exportadora de Produtos Paranaenses (Soceppar), Theodoro Peratello Júnior, afirma que a empresa notou já em 2004 a fuga de cargas do Paraná para Santa Catarina e que o mesmo trabalho de segregação feito no porto catarinense pode ser realizado no terminal da companhia em Paranaguá. "Sentimos essa mudança e tememos que ela se acentue", declara. Segundo ele, a busca de cargas com origem no Mato Grosso ajuda a equilibrar o negócio, mas não é uma saída simples. "A concorrência com outros portos é muito grande", observa. (GO)

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