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Comércio exterior

No Paraná, exigência causou atrasos e prejuízos

Operação no Terminal de Contêineres de Paranaguá: cargas já desembarcadas foram atingidas pela medida, agora revogada | Antônio Costa/Gazeta do Povo
Operação no Terminal de Contêineres de Paranaguá: cargas já desembarcadas foram atingidas pela medida, agora revogada (Foto: Antônio Costa/Gazeta do Povo)

A exigência de licenças de importação esteve em vigor por apenas três dias, mas o período foi suficiente para causar prejuízos e atrasos para algumas empresas instaladas no Paraná. Entre as companhias consultadas pela Gazeta do Povo, o caso mais grave é o da Bosch, que, por falta de peças, teve de parar algumas linhas de montagem em sua fábrica da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), onde produz sistemas de injeção para motores a diesel. A empresa é a 12ª maior importadora do Paraná, com compras de US$ 169 milhões em 2008.

"Trabalhamos com baixos estoques, e os processos de importação são diários. Por isso, a lentidão na liberação de componentes provocou a paralisação de algumas linhas", revelou Anselmo Riso, gerente de logística e comércio exterior da Bosch. "Ainda não fizemos as contas, mas certamente tivemos prejuízo. Como muitos produtos ficaram parados nas zonas alfandegárias, pagaremos mais pela armazenagem. Também tivemos que suspender embarques de produtos que viriam para o Brasil, e perdemos reservas em navios e aviões cargueiros."

Riso lembrou que, embora o objetivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) fosse de evitar déficit na balança comercial, muitas empresas teriam dificuldade em importar insumos usados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo – e, com menos exportações, o risco de déficit persistiria. A própria Bosch vendeu quase US$ 400 milhões ao exterior no ano passado.

Na fabricante de condutores elétricos Conduspar, de São José dos Pinhais, a exigência de licença poderia atrasar a compra de máquinas. "Aumentamos nosso parque fabril de 6 mil para 15 mil metros quadrados. E todo o grupo de máquinas industriais que preencherão esse espaço estava na lista do ministério", disse Edson Degraf, gerente administrativo da Conduspar, que, em 2008, importou US$ 49,5 milhões em mercadorias.

Outra reclamação dos importadores é que o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) estava exigindo licença prévia para mercadorias já desembarcadas. "Temos mercadorias de alta tecnologia paradas no Aeroporto Afonso Pena, que já tinham saído da China quando o governo baixou a regra", disse Juliana Susin, responsável por compras da Perkons, prestadora de serviços de monitoramento de trânsito, horas antes da suspensão da regra.

Para a proprietária da loja de roupas infantis Peek-a-Boo, Bebel Rispoli Muffone, a atitude do governo acrescentaria um obstáculo à atividade das pequenas importadoras. "O dólar subiu, encarecendo a importação, e os fornecedores nacionais também elevaram seus preços. Por sorte, estamos na ‘entressafra’, e não cheguei a ter mercadorias retidas nos portos."

Pouco antes da suspensão da nova regra, André Lucas, da área de logística da Ideal Assessoria de Comércio Exterior, previa que o MDIC não daria conta dos pedidos de licença. "Antes, um número reduzido de produtos precisava de licença prévia, e agora a exigência vale para grande parte da pauta. É óbvio que o ministério não tem pessoal para avaliar tudo isso."

Sem posição

A reportagem também contatou três grandes importadoras do estado que, juntas, compraram do exterior quase US$ 600 milhões no ano passado. Mas, por meio de suas assessorias, Positivo Informática, Siemens e Furukawa informaram que não tinham posição definida ou porta-voz para comentar o assunto.

Minutos antes de o governo federal voltar atrás em sua medida, que afetaria mais de 40% das importações do estado, a Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) informou não ter recebido "manifestação formal de empresas ou sindicatos empresariais sobre as licenças prévias", mas que faria uma consulta aos sindicatos "questionando as medidas adequadas para o enfrentamento da questão" para, em seguida, tomar uma posição institucional.

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