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Smartphone cobra caro da nossa atenção. | /Pexels
Smartphone cobra caro da nossa atenção.| Foto: /Pexels

A onipresença do smartphone já é notória. Em restaurantes, bares, reuniões familiares e até em locais formais, como igrejas e salas de aula em universidades, alguém estará mexendo em um. As vantagens desse aparelho são inegáveis, mas cada vez mais a pesquisa se concentra em um lado menos nobre do smartphone: no poder de destruir a concentração que ele tem.

Em um estudo publicado em abril de 2017, pesquisadores da Universidade de Chicago liderados pelo doutor Adrian F. Ward fizeram testes cognitivos simples com cerca de 800 voluntários. No primeiro, eles tinham que fazer contas e memorizar letras aleatórias ao mesmo tempo; no segundo, os participantes viam um conjunto de imagens que formavam um padrão incompleto e escolhiam uma imagem que melhor completasse o padrão.

Os testes foram feitos por três grupos. Um deles mantinha o celular sobre a mesa, com a tela virada para baixo; o outro, no bolso ou na bolsa; e o terceiro, em outra sala, longe da vista. Em todas as situações, alertas vibratórios e sonoros eram desligados de antemão.

Os resultados foram “chocantes”, segundo os pesquisadores. Os participantes que tiveram seus celulares colocados em outra sala se saíram muito melhor que os que estavam com o aparelho por perto. Para esses, a mera presença do smartphone, mesmo desligado, teve um impacto significativo na capacidade cognitiva, comparável ao dos efeitos da privação de sono.

Os pesquisadores, que batizaram essa desatenção de “fadiga cerebral”, justificam pesquisas do tipo com a natureza inédita do smartphone: “ao longo da história humana,” escrevem na conclusão, “a maioria das inovações ocupou um espaço definido nas vidas dos consumidores; elas eram restritas pelas funções que desempenhavam e pelos locais que habitavam. Smartphones transcendem essas limitações. Eles são companhias constantes dos consumidores, oferecendo conexão sem precedentes a informação, entretenimento e a outros seres humanos”.

Não por acaso, os efeitos na cognição se acentuam na mesma medida em que a dependência do smartphone aumenta.

Solução e problema

Essa natureza foi objeto de um paper do pesquisador Sharif Mowlabocus, publicado em outubro de 2016 na revista científica digital First Monday. Nele, o autor argumenta que o smartphone é, ao mesmo tempo, “o dispositivo que apoia o ‘fetiche da velocidade’ do capitalismo tardio” e o que “oferece um mecanismo de escape dele (por mais ilusório que esse escape possa ser)”. O smartphone seria, então, a solução e parte do problema.

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Não faz uma década que o smartphone surgiu e se tornou o dispositivo tecnológico mais popular da história — já somos quase três bilhões de usuários e a tendência é que, nos próximos anos, todos os seres humanos adultos tenham um. Como dizem Ward e seus colegas, “o smartphone de alguém é mais do que um celular, uma câmera ou uma coleção de apps. Ele é aquela coisa que conecta tudo — o centro de um mundo conectado. A presença do smartphone de alguém habilita o acesso sob demanda a informação, entretenimento, estímulos sociais e outras coisas. Entretanto, nossa pesquisa sugere que esses benefícios — e a dependência que eles engendram — possa ter um custo cognitivo.

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