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Apple encerra produção do iPad no Brasil

A fábrica da Foxconn, em Jundiaí-SP, encerrou a produção do iPad e demitiu cerca de 70 funcionários

  • Rodrigo Ghedin
iPad continua sendo vendido no Brasil | JUSTIN SULLIVAN/AFP
iPad continua sendo vendido no Brasil JUSTIN SULLIVAN/AFP
 
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A Apple não fabrica mais o iPad no Brasil. Fontes ouvidas pela Gazeta do Povo que pediram para permanecerem anônimas, confirmaram que a linha de montagem do tablet da Apple foi desativada há cerca de 20 dias e alguns funcionários, demitidos.

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De acordo com as fontes, havia 130 funcionários trabalhando na produção do iPad, na fábrica da Foxconn em Jundiaí, interior de São Paulo. Cerca de 70 já foram demitidos. Os demais estão de licença, trabalham em setores administrativos ou estão fazendo a desmontagem das máquinas; eles não sabem se perderão seus empregos. Ainda segundo uma das fontes, no auge da linha, em 2012, dois mil funcionários se dedicavam à produção do tablet.

Ao longo dos cinco anos desde a abertura da fábrica de Jundiaí, vários modelos do iPad foram produzidos no Brasil – do iPad 2, lançado em 2011, até, no mínimo, o iPad Air 2, de 2015. Documentos referentes ao iPad Pro de 9,7 polegadas, penúltimo modelo lançado pela Apple (no Brasil, em maio de 2016), constam no sistema de homologação da Anatel e informam a Foxconn de Jundiaí como uma das unidades fabris. Não foi possível apurar se esse modelo chegou a ser fabricado lá.

As quatro versões do iPad atualmente em linha continuam sendo vendidas no Brasil, importadas da China.

A produção do iPhone continua ativa, empregando cerca de 2300 funcionários, mas uma das fontes ouvidas disse que “o desânimo de quem trabalha lá é evidente.” Outra alegou que “o iPad, embora pequeno, tinha um papel fundamental [na operação nacional]. Com o encerramento da produção, muitas coisas ficaram incertas. Vai ter um impacto grande.”

Em reportagem publicada em 2015, a Reuters apontou que muitas promessas feitas na época da inauguração da fábrica da Foxconn jamais saíram do papel. O investimento de US$ 10 bilhões da Foxconn na operação brasileira, uma fábrica de componentes que seria construída em Itu-SP, cidade próxima a Jundiaí, e a geração de milhares de empregos, incluindo os de alta complexidade, não se concretizaram. Os funcionários da Foxconn deflagraram greve em duas oportunidades, uma em setembro de 2014 e outra em abril de 2015, exigindo planos de cargos e salários e equiparação na participação nos lucros e resultados.

Procurada, a Foxconn disse que “preserva qualquer informação relacionada aos seus clientes, sendo assim não nos pronunciaremos sobre o assunto.” A Apple não respondeu o contato.

O iPad no Brasil

Incentivada pela chamada Lei do Bem (lei nº 11.196/05), que concedia isenções e abates de tributos para a fabricação local de produtos de tecnologia (smartphones, notebooks e tablets), em 2011 a Foxconn instalou uma fábrica em Jundiaí, interior de São Paulo. Entre outras, a Apple constava na lista de clientes, ou seja, de empresas que fabricariam produtos ali.

iPad e iPhone começaram a ser fabricados no Brasil no início de 2012. A unidade de Jundiaí foi a primeira a produzir os gadgets da Apple fora da China. Havia uma grande expectativa de que a fabricação local diminuiria o preço final ao consumidor, algo que jamais ocorreu. Nos últimos anos, o preço do iPad subiu drasticamente, acima da inflação, puxado pela alta do dólar, e o iPhone manteve a tendência de queda apenas nos modelos mais antigos, prática que já ocorria antes, quando apenas modelos importados eram vendidos aqui.

Vendas em queda

As vendas do iPad estão em queda há três anos, após atingirem o pico de 18,6 milhões de unidades comercializadas globalmente no primeiro trimestre de 2014. No primeiro trimestre de 2017, foram vendidas 10,6 milhões de unidades do tablet, em diferentes versões.

No final de 2015, a Apple ampliou a linha com o iPad Pro, posicionando o modelo, que traz uma tela enorme de 12,9 polegadas, para o mercado corporativo. Além de especificações melhoradas e avanços na tela e no sistema de áudio, a linha Pro, que mais tarde ganhou um modelo menor, de 9,7 polegadas, traz um conector magnético que permite o acoplar um teclado/capa e suporte à Apple Pen, uma caneta especial para interagir com o tablet.

Existem, hoje, quatro modelos do iPad à venda, todos eles disponíveis no Brasil. Além dos dois iPad Pro, de 12,9 e 9,7 polegadas, que custam R$ 6.299 e R$ 4.999, respectivamente, a Apple comercializa o iPad mini 4 (tela de 7,9 polegadas, por R$ 2.999) e um modelo chamado simplesmente iPad, último a ser lançado pela empresa, com tela de 9,7 polegadas e preço inicial de R$ 2.499.

Atualizada às 9h38 do dia 27 de abril para incluir a resposta da Foxconn ao nosso contato.

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