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Feirinha no centro de Holywell. | TOM JAMIESON/NYT
Feirinha no centro de Holywell.| Foto: TOM JAMIESON/NYT

Holywell, País de Gales – As autoridades desta cidade galesa logo vão instalar Wi-Fi gratuito ao longo de sua única rua comercial. Estão montando os primeiros carregadores de carros elétricos na região. E, no último inverno, pequenos negócios começaram a formar parcerias com sistemas de pagamento móveis americanos, com a esperança de conseguir que mais pessoas frequentem suas lojas.

Isso é tecnologia de cidade pequena — uma resposta dispersa das comunidades que tentam de todas as maneiras possíveis atrair os consumidores de volta a suas ruas principais.

Muitos lugares como Holywell estão experimentando novas tecnologias e serviços digitais, assumindo uma postura defensiva contra o domínio do comércio eletrônico e o potencial de atração de cidades maiores. Com os carregadores de carros e o Wi-Fi grátis, as autoridades daqui também instalaram sinalizações digitais que descrevem as atrações locais para ajudar os turistas com seus celulares.

Embora esses esforços dificilmente protejam sua economia, a alternativa equivale a desistir. Os donos de lojas esperam que essas ações os ajudem a sobreviver e a melhorar o humor em uma região que já sofreu décadas de declínio.

“Na verdade, somos uma pequena cidade no meio do nada”, afirma Ted Palmer, cuja barbearia fica do lado da área principal de compras de Holywell, a High Street. “Quem não estiver aberto às mudanças, vai se afogar.”

A pacata Holywell.TOM JAMIESON/NYT

Holywell fica perto de um local religioso cristão popular entre os turistas e está a uma curta distância de carro da costa do País de Gales, mas sempre contou com suas lojas para alimentar a economia local. Nos últimos anos, porém, várias fecharam, entre elas uma papelaria, uma farmácia e uma de eletrodomésticos. Então, em alguns meses, três das quatro agências bancárias da cidade também cerraram as portas.

A High Street é um fantasma do que já foi. As compras estão cada vez mais sendo feitas pela internet, e os principais varejistas conseguem baixar os preços enquanto oferecem serviços diferenciados, como entrega no dia seguinte de itens difíceis de encontrar.

Os consumidores de Holywell podem ter seus mantimentos entregues diretamente na porta de casa por supermercados online, como o Ocado, e muito mais do gigante das compras, a Amazon. Em vez de mercearias locais, os moradores podem pegar o carro e ir até o imenso supermercado Tesco, a uma curta distância da High Street, ou andar um pouco até a Home Bargains, uma varejista nacional que oferece descontos.

Na verdade, em grande parte do Reino Unido e do mundo, as pessoas podem usar seus celulares e a internet para fazer com que restaurantes mandem comida para suas casas, para marcar uma hora com um técnico ou alguém para fazer faxina e conseguir que a lavanderia pegue suas roupas. (Palmer brinca que, pelo menos por enquanto, os cortes de cabelo não podem ser entregues em casa.)

O fechamento das agências bancárias foi particularmente difícil. Os prédios onde elas ficavam continuam desocupados, um ainda contém a marca do inquilino que partiu, o HSBC.

O fechamento forçou as lojas a manter grandes somas de dinheiro no local, o que faz com que os donos temam roubos e furtos. As pessoas que vinham à cidade para usar as agências agora estão indo para outros lugares. E o tráfego de pedestres no centro de Holywell, uma cidade com nove mil pessoas habitantes, caiu drasticamente.

Quando Helen Ryles-Owen abriu sua papelaria no centro de Holywell, a única competidora local havia recentemente fechado as portas, e sua irmã prometeu que iria ajudá-la a administrar o novo negócio. Mas o momento foi ruim – apenas algumas semanas antes de as agências bancárias fecharem.

“Será que eu teria aberto aqui” sabendo que as agências estavam fechando, perguntou Ryles-Owen. “Teria pensado duas vezes.”

Ajuda do outro lado do Atlântico

Os esforços de Holywell para se transformar e mudar o centro da cidade vão de encontro a sua longa história. No vernáculo britânico, Holywell é uma cidade comercial. Eduardo I concedeu aos monges uma carta para estabelecer um mercado semanal aqui no século XIII, e eles costumavam vender cerveja e coletar impostos de fazendeiros e mercadores que vinham vender seus produtos. No início do século XIX, havia lojas, hospedarias e cervejarias.

Apesar de o mercado semanal continuar acontecendo, agora ele varia de cerca de 25 barracas durante o período de Natal, a meia dúzia nos dias frios e molhados de inverno. Os escritórios do conselho local, responsável por questões como a coleta de lixo e serviços como as bibliotecas, se mudaram para outra cidade há muito tempo, levando os empregos com eles. Os trabalhadores de uma pedreira e usina de asfalto próxima raramente se aventuram em Holywell, ficando em um hotel na periferia da cidade.

A High Street, que tem menos de 300 metros, abriga hoje uma variedade de cafés, barbearias e lojas que vendem itens que vão de cigarros eletrônicos a sapatos. A única agência bancária sobrevivente, do banco espanhol Santander, possui apenas um caixa eletrônico. Os moradores de Holywell reclamam que sempre há uma fila e a máquina em geral fica sem dinheiro.

A única agência bancária de Hollywell.TOM JAMIESON/NYT

A adoção da tecnologia pela cidade aconteceu por acaso.

Nos últimos anos, os membros das reuniões mensais do comitê de governo local mantiveram discussões regulares sobre as dificuldades enfrentadas pela High Street da cidade e as possíveis soluções. A rua que virou calçadão décadas atrás, seria reaberta ao tráfego de veículos. Carregadores de carros elétricos seriam instalados para atrair os ricos donos desses veículos. O Wi-Fi grátis ajudaria a garantir que esses clientes ficassem por ali.

Então, na conferência anual do Partido Trabalhista em setembro, David Hanson, membro do parlamento de Holywell, encontrou Sarah Harvey, chefe de operações no Reino Unido da Square, a empresa norte-americana de pagamentos móveis. Eles bolaram uma experiência.

A Square ofereceria seus leitores de cartões — pequenas caixas brancas que se conectam aos smartphones — de graça para os negócios de Holywell. E a empresa do Vale do Silício usaria a experiência para aprender sobre as empresas britânicas, um mercado em que havia entrado alguns meses antes.

Para os pequenos negócios, a Square e outras como ela podem ser uma alternativa mais barata às companhias que hoje dominam o processamento de cartões. A Square normalmente vende seus leitores de cartão por um preço fixo e depois cobra uma taxa de 1,75 por cento em todas as transações com cartão que acontecem na loja. Os serviços tradicionais, que normalmente são usados nas lojas, cobram um aluguel mensal pelas máquinas de leitura e geralmente exigem contratos de longo prazo.

Leitora da Square.TOM JAMIESON/NYT

Os lojistas de Holywell dizem que outro benefício é a portabilidade dos leitores da Square, que se conectam facilmente com os smartphones e podem ser carregados para feiras e eventos. Em 5 a 7 de maio, Ryles-Owen levou sua leitora para a Llandudno Extravaganza, uma feira com tema vitoriano que aconteceu a 50 quilômetros de Holywell.

Os empreendedores ainda não têm uma noção clara dos impactos. O serviço não gerou de repente um aumento significativo nos negócios, mas eles também não esperavam que isso acontecesse. Vários dizem, porém, que diminuiu a queda, e permitiu que atraíssem uma gama maior de clientes, principalmente os mais jovens, que usam menos dinheiro vivo do que as gerações anteriores.

Em uma recepção recente realizada perto do Parlamento em Londres, Hanson, representantes da Square e donos de negócios em Holywell relataram sua experiência para mais de uma dúzia de legisladores. As perguntas buscavam informações sobre o funcionamento do sistema (eles tinham unidades de teste disponíveis) até a rapidez com que os empresários recebiam os pagamentos (no dia útil seguinte).

Russ Warburton, de 56 anos, foi um dos mais de 60 donos de negócios de Holywell que se inscreveu para receber a leitora da Square. A receita de seu negócio de iluminação havia caído quase 30 por cento depois que as agências fecharam. Usar a Square ajudou a estancar a queda. Ele reconhece que foi uma vitória pequena, mas que o encorajou – e a outros empreendedores – a considerar novos investimentos. E agora está expandindo seus serviços para vender antiguidades e fazer reforma de móveis.

“Não resolve o problema. Você não vai fazer com que a High Street volte a ser o que era 30, 40 anos atrás porque os hábitos de compras mudaram”, diz Warburton, presidente do conselho de negócios da cidade.

“Estamos apenas tentando fazer o que for possível para trazer as pessoas de volta à cidade.”

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