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| Foto: Antônio More/Gazeta do Povo

Apesar de ter uma base de 63,6 milhões de clientes e de ser a operadora com a maior cobertura no país, atuando em todo o território nacional, a Oi está em processo de recuperação judicial desde junho do ano passado. A empresa entrou com o pedido após acumular dívidas de R$ 65,4 bilhões com cerca de 55 mil credores e está há mais de um ano tentando negociar um acordo que agrade acionistas e credores. 

Um plano de recuperação judicial, que inclui uma proposta de pagamento de parte das dívidas, foi apresentado na semana passada pela companhia à Justiça e será levado para votação em uma assembleia que está marcada para acontecer na próxima segunda-feira (23), no Rio de Janeiro. A assembleia, se vier realmente a acontecer, será decisiva para saber se os credores aprovarão ou não o plano e o que acontecerá com a companhia. 

Segundo dados do fim de 2016, a Oi tem 63,6 milhões de clientes, sendo 57 milhões de consumidores finais, divididos nos segmentos residencial, móvel e telefone público, e 6,6 milhões de clientes corporativos. A operadora é a que possui maior cobertura de serviços no país, com atuação em todos os municípios. Em 2 mil municípios, ela atua sozinha. E em parte das 3,5 mil cidades em que possui concorrentes, é própria Oi quem aluga sua infraestrutura para que as outras operadoras, como TIM e Vivo, prestem o serviço. 

Mesmo com essa base expressiva de clientes e da ampla rede de cobertura e infraestrutura, a Oi acabou afundada em dívidas. Alguns fatores, como aquisições de empresas endividadas e o desejo do governo de criar uma “supertele”, ajudam a explicar o que levou a operadora a entrar com o maior pedido de recuperação judicial do país. Confira:

Privatização

O Grupo Oi começou a ser formado em 1998, a partir da privatização da Telemar, um braço da Telebrás. A operadora foi arrebatada, na época, por um consórcio liderado pela construtora Andrade Gutierrez, o grupo La Fonte, a GP Investimentos, o banco Inepar e fundos de pensão.

O consórcio adquiriu a Telemar por R$ 3,4 bilhões, dinheiro financiado integralmente pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES) e por fundos de pensão. Com isso, BNDES e os fundos de pensão se tornaram, ao mesmo tempo, acionistas e credores da Oi.

Depois de privatizada, o consórcio manteve o nome de Telemar e começou a ampliar a empresa, que atuava inicialmente nas regiões Norte e Nordeste do país e em telefonia fixa. Pouco tempo depois, eles conseguiram autorização para atuar no Sudeste e entrar em novos mercados, como telefonia móvel. 

Endividamento

Ainda no início dos anos 2000, o consórcio que se tornou dono da Telemar começou a comprar outras empresas para ampliar a atuação da operadora. Muitas dessas empresas adquiridas só tinham dívidas, o que aumentou substancialmente o endividamento da Telemar.

Um caso é o da Pegasus, uma provedora de serviços de dados que pertencia à La Fonte, Andrade Gutierrez, GP e Opportunity, as mesmas empresas (com exceção do Banco Opportunity) que adquiriram a Telemar na época da privatização. Eles argumentaram, na época, que a incorporação da Pegasus pela Telemar ia transformar a operadora de telefonia fixa em uma prestadora de serviços de voz para clientes corporativos. A Telemar comprou a Pegasus por R$ 335,8 milhões e ainda e assumiu uma dívida de R$ 339,1 milhões que a provedora de dados tinha.

Outra aquisição que contribuiu para o endividamento da Telemar foi da TNL PCS, uma empresa criada pelo mesmo consórcio de empresas dono da Telemar. Na época, eles tiveram a ideia de criar uma empresa de telefonia móvel independente da Telemar. Eles, então, abriram a TNL e passaram a chamar comercialmente de Oi.

Em 2003, eles resolverem unir as operações da Telemar e da Oi. A Telemar comprou a TNL, dona da marca Oi, pelo valor simbólico de R$ 1 e assumiu dívidas de R$ 4,8 bilhões da companhia. 

Mais tarde, em 2007, o nome Telemar deixou de se usado e a operadora passou a se chamar somente Oi, como é conhecida atualmente. 

Supertele nacional

Mesmo endividada, a Oi (antiga Telemar) fez a maior compra da sua história entre 2009 e 2010. A operadora comprou a Brasil Telecom por R$ 5,8 bilhões, valor, na época, considerado acima do mercado.

O que aconteceu foi que tanto a Oi quanto a Brasil Telecom estavam endividadas. Havia a especulação de que elas pudessem ser adquiridas por grupos estrangeiros. A Oi era muito forte no Sudeste, Norte, Nordeste e a Brasil Telecom, no Sul e Centro-Oeste.

O governo Lula decidiu, então, incentivar que as operadoras se unissem para formação de uma “supertele nacional”, com atuação em todas as regiões do país. A legislação da época sequer permitia a fusão das empresas, mas o governo emitiu um decreto que dava aval à operação.

Supertele internacional

Depois do projeto de criar uma mega tele nacional, veio a ideia de ter uma super tele internacional. A Portugal Telecom, de origem do país do mesmo nome, entrou na Oi em 2010, quando adquiriu 23,6% das ações da empresa. Em 2013, foi cogitada a possibilidade de fundir as duas empresas, o que criaria uma empresa multinacional de telecomunicações. 

A fusão aconteceu em 2013, com a promessa de que a Portugal Telecom injetaria R$ 3,2 bilhões na Oi. O que aconteceu foi que o dinheiro que seria repassada pela operadora portuguesa à Oi estava aplicado em títulos podres em uma subsidiária do banco português Espírito Santo, que quebrou pouco meses depois da fusão da Portugal Telecom com a Oi. Com isso, a Portugal Telecom ficou sem caixa e nunca injetou o dinheiro prometido na Oi. 

Dívidas com o governo

Em paralelo às tentativas frustadas de montar uma supertele, o Oi foi acumulando dívidas com o governo. A operadora descumpriu uma série obrigações de investimentos, atendimento e qualidade de serviço e levou diversas multas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), quem regula o setor no país.

O resultado é uma dívida de R$ 11 bilhões com a Anatel pelos cálculos da Oi e cerca de R$ 20 bilhões, pelas contas do governo, até hoje não paga. A Anatel é a maior credora individual da Oi dentro do plano de recuperação judicial da companhia.

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