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Obituário

Como o fundador da Ikea transformou móveis encaixotados em um império

Ingvar Kamprad, fundador da rede varejista Ikea, morreu no último fim de semana. Ele foi responsável por levar a combinação de design e “monte você mesmo” para dezenas de países

  • The Washington Post
 | ANDERS WIKLUND/AFP
ANDERS WIKLUND/AFP
 
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Ingvar Kamprad, um empreendedor sueco que começou na infância vendendo fósforos e frutas e acabou fundando a Ikea, um império do setor de móveis que levou elegantes projetos escandinavos a dezenas de milhões de casas em todo o mundo, morreu em 27 de janeiro em sua casa em Småland , uma província do sul da Suécia. Ele tinha 91 anos.

Nascido em uma família de fazendeiros rurais, Kamprad foi uma criança que ele mesmo descreveu como “preguiçosa e disléxica”. Na juventude, ele flertou com grupos de extrema direita na Suécia. Tornou-se um alcoólatra na vida adulta e acabou criando uma das empresas mais influentes do século XX nas áreas de design e varejo.

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Fundada em 1943, quando Kamprad tinha 17 anos, a Ikea vendeu quadros, meias de nylon, medicamentos e outras necessidades de pequenas cidades antes de virar uma rede de mobiliário doméstico de baixo custo. Produtos regionais foram abandonados ao longo do tempo, quando Kamprad fez da Ikea a maior varejista de móveis do mundo, fazendo fortuna com produtos cujas cores brilhantes e projetos minimalistas se tornaram uma parte onipresente de quartos, cozinhas, banheiros, quartos de brincar da classe média.

“Em alguns domingos na Grã-Bretanha”, informou o jornal The Guardian em 2004, “quase duas vezes mais pessoas visitam [a Ikea] do que frequentam a igreja; calcula-se que 10% dos europeus atualmente vivos foram concebidos em uma das camas vendidas pela Ikea”.

Embora Kamprad tenha se afastado do conselho da Ikea nos últimos anos, servindo desde 1988 como um consultor sênior, ele foi amplamente considerado como o principal arquiteto da empresa e uma força ainda poderosa nos bastidores.

O princípio central de seu modelo de negócios era simples, estimulado por uma ideia de um de seus principais designers, Gillis Lundgren: tirar as pernas de mesas que a empresa estava armazenando em seus armazéns. Não era a primeira vez que produtos desmontados eram vendidos aos consumidores, mas a ideia de encaixotar o mobiliário desmontado para ser vendido nunca havia sido testada em grande escala.

A Ikea agora possui 412 lojas em 49 países, filiais que se espalham milhares de metros quadrados e apresentam quartos as camas Malm, cadeiras Poang, estantes Billy e sofás Ektorp. Muitos dos nomes foram inventados por Kamprad, cuja dislexia o levou a elaborar um sistema de nomeação que empregaria palavras familiares e fáceis de identificar. Não surpreendentemente, os nomes de lugares suecos predominam.

A empresa tornou-se um embaixador cultural da Suécia, tomando o nome das iniciais de Kamprad e as primeiras letras da fazenda (Elmtaryd) e da vila (Agunnaryd) onde foi criado. Seu logotipo emprega as cores azul e dourado da bandeira sueca, e seus restaurantes e prateleiras de alimentos – criados em um esforço para manter os clientes nas lojas – oferecem iguarias típicas da Suécia. “Estômago vazio, Ingvar uma vez brincou, “não vende sofás”.

Além do tráfego de suas lojas físicas, o negócio da Ikea foi ajudado por décadas por um catálogo que é traduzido para mais de 30 idiomas. Com cerca de 200 milhões de cópias impressas a cada ano, sua circulação rivaliza com a Bíblia, o Corão e os livros de Harry Potter.

No entanto, enquanto a empresa de Kamprad cresceu, os detalhes de sua vida pessoal ficaram obscurecidos por uma máquina de relações públicas que o tornou uma encarnação empresarial-executiva do conceito sueco de ser um exemplo que Kamprad descreveu como sendo central para a missão de Ikea.

Publicamente, pelo menos, ele uma enorme frugalidade. Ele dirigia um Volvo velho, reciclava seus saquinhos de chá, guardava os pacotes de sal e pimenta dos restaurantes e ia ao supermercado no final da tarde para encontrar produtos com desconto. Os catálogos da Ikea usavam empregados da empresa em vez de modelos e a equipe foi encorajada a escrever em ambos os lados de uma folha de papel.

Durante décadas, a empresa parecia estar prosperando, pois evitava controvérsias e parecia incutir em seus funcionários uma devoção a Kamprad. Isso pareceu mudar a partir de 1994, quando o jornal Expressen da Suécia descobriu documentos que ligavam o fundador da empresa a grupos pró-nazistas na década de 1940. Kamprad descreveu sua participação nesses grupos, em uma carta aos funcionários de Ikea, como um erro juvenil e “uma parte da minha vida da qual me arrependo”.

Quase duas décadas depois, um livro da jornalista sueca Elisabeth Asbrink ampliou a acusação, ligando Kamprad a um grupo fascista. Sua atividade no grupo era extensa a ponto de, no mesmo ano em que ele funduo a Ikea, a polícia sueca começar a investigá-lo para verificar seu cargo na organização.

Naquela época, o estilo de gestão de Kamprad também foi criticado. “Havia uma lei não escrita para a as lideranças da Ikea: lealdade a Ingvar até a morte”, escreveu Johan Stenebo, ex-gerente da empresa, em “The Truth About Ikea” (2009). Comparando a cultura de gestão da empresa com a da polícia secreta da Alemanha Oriental, ele descreveu uma rede de informantes que manteve Kamprad informado sobre as fofocas e acusou os executivos da Ikea de racismo. (Abordado pela revista alemã Der Spiegel, a empresa se recusou a comentar o livro, descrevendo-o como “as opiniões de um indivíduo”).

Para os seguidores de Kamprad, no entanto, talvez a acusação mais chocante fosse um detalhe sobre seu transporte preferido. O velho Volvo que apareceu em muitas notícias sobre o executivo era apenas publicidade, escreveu Stenebo. Em vez disso, ele disse, Kamprad dirigia um Porsche.

Riqueza

Enquanto Ikea agora é amplamente amada na Suécia, a empresa inicialmente irritou os concorrentes que ficaram frustrados com os preços baixos e organizaram um boicote. Kamprad respondeu comprando madeira da Polônia comunista e de outras partes do mundo. Por volta desse período, começou a beber pesadamente. Mais tarde, ele disse a um jornal australiano que ele tinha o hábito sob controle.

Kamprad já foi apontado como a quarta pessoa mais rica do mundo, com um patrimônio líquido de até US$ 28 bilhões de acordo com a revista Forbes. Mas nas últimas décadas a empresa se reestruturou para que suas ações sejam de propriedade de uma fundação criada por Kamprad. Os registros de impostos suecos de 2013 estabeleceram sua riqueza em cerca de US$ 113 milhões, de acordo com a Associated Press.

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