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Nubank cresce e quer ser mais que um cartão de crédito

Fintech já tem o seu principal produto estabelecido no mercado e agora estuda lançar novos serviços financeiros

Nubank começou em uma casa improvisada e hoje ocupa um prédio inteiro em Pinheiros | Vtao Takayama/Divulgação/Nubank
Nubank começou em uma casa improvisada e hoje ocupa um prédio inteiro em Pinheiros (Foto: Vtao Takayama/Divulgação/Nubank)

Depois de abalar o sistema financeiro ao lançar um cartão de crédito sem anuidade e gerido através de um aplicativo, o Nubank se prepara para entrar no seu segundo ciclo de crescimento. A fintech já tem o seu principal produto estabelecido no mercado e agora estuda lançar novos serviços e obter novas fontes de receita. As possibilidades, segundo analistas, vão desde entrar no segmento de empréstimo a oferecer uma conta bancária digital.

Fintechs inspiram revolução financeira

O Nubank surgiu em 2013, em uma casa improvisada na Rua Califórnia, em São Paulo, e um ano depois lançou o seu cartão de crédito roxo, sem anuidade, com taxas menores do que as praticadas pelo mercado e com toda a gestão através de um aplicativo, inclusive a solicitação para ter o produto. Três anos mais tarde, a empresa passou a ocupar um prédio inteiro em Pinheiros, acumula 8 milhões de solicitações pelo seu cartão e analisa 500 mil pedidos em fila de espera.

“Quando o Nubank começou, todas as instituições financeiras estavam cobrando pelo cartão de crédito. Havia uma demanda reprimida de quem estava insatisfeito com o serviço e daqueles que não podiam pagar para ter um cartão de crédito. Tanto que quando eles lançaram o cartão foi um sucesso estrondoso, não precisaram nem fazer propaganda”, afirma a professora dos MBAs da Fundação Getulio Vargas (FGV) Myrian Lund.

Além dos atrativos do cartão, Sergio Favarin, diretor de operações para a região Sul da GFT, companhia especializada em transformação digital para o setor financeiro, afirma que a eficiência no modelo de negócio e na operação do Nubank é outro fator que explica o rápido crescimento da fintech.

“Existem princípios que o Nubank colocou na concepção no negócio que mostram que não é necessário você ter uma estrutura complicada e complexa para ter um produto financeiro. Eles desenvolveram algo inovador, simples e voltado para o usuário”, afirma Favarin. “É o modelo lean de trabalho: ações rápidas, proximidade entre os níveis hierárquicos e liberdade para propor ideias. Isso possibilita que eles corrijam erros rápidos e entreguem respostas muito rápidas”, completa o especialista. 

Todos esses fatores levaram a uma consolidação do produto cartão de crédito Nubank. A única demanda que faltava foi atendida neste mês, com o lançamento do Nubank Rewards, programa de fidelidade da empresa que permite apagar algumas cobranças conforme o usuário acumula pontos.

Agora, com o cartão de crédito bem estabelecido e precisando apenas ser administrado e incrementado para atrair e reter clientes, o Nubank passa a se dedicar ao lançamento de novos produtos e, principalmente, obtenção de novas fontes de receita. 

O Nubank tem como principal fonte de receita a taxa de operação que é descontada dos comerciantes cada vez que um cliente passa o cartão de crédito. Mas qualquer mudança no modelo de repasse aos varejistas, como a que foi ventilada pelo governo no ano passado, quando se estudou diminuir o prazo de repasse do dinheiro aos lojistas, pode afetar a operação da empresa. A cofundadora do negócio, Cristina Junqueira, chegou a falar na época que o Nubank fecharia as portas se as regras mudassem. 

Para evitar que isso aconteça, a empresa - que acumula prejuízos de R$ 161,8 milhões desde a sua fundação - deu o primeiro passo rumo ao lançamento de novos produtos. A companhia anunciou no fim de julho a contratação de Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, como consultor estratégico. A função dele será justamente a de pensar em novos produtos e fontes de receita. 

“Quando uma instituição como o Nubank contrata gente de peso do mercado financeiro, como o Gustavo Franco, é porque ela pode estar cogitando ser um ainstituição financeira completa, como um banco digital”, afirma a professora da FGV Myrian Lund. 

“As possibilidades são muitas porque há insatisfação dos clientes com todo o sistema financeiro, principalmente em meios de pagamento, empréstimos e aplicações financeiras. E as oportunidades de ganho nessas áreas são enormes na medida em que você trabalha com uma operação enxuta e focada em tecnologia”, completa Myrian.

O diretor da GFT, Sergio Favarin, concorda que é possível que o Nubank esteja trabalhando no lançamento de um robusto produto financeiro, como uma conta bancária digital ou empréstimo. Ele também afirma que a chegada de Gustavo Franco prepara o terreno para isso.

“Existem regras do Banco Central que você precisa cumprir para prestar um serviço financeiro. Com eles lançando uma nova linha de produtos, eles vão precisar aumentar a compliance [diretrizes de uma empresa para cumprir normas legais e regulatórias]. A vinda do Gustavo Franco demonstra essa preocupação deles em estar de acordo com as regras do regulador”, explica Favarin.  

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