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Aquisições

Por que a Microsoft pagou US$ 7,5 bilhões por um repositório de códigos?

O GitHub, maior repositório de códigos do mundo, agora é da Microsoft. A empresa continua se afastando do legado do Windows para abraçar desenvolvedores de todas as tribos

  • PorRodrigo Ghedin
  • 04/06/2018 11:58
Fachada do escritório da Microsoft em Nova York. | ROY ROCHLIN/AFP
Fachada do escritório da Microsoft em Nova York.| Foto: ROY ROCHLIN/AFP

A Microsoft confirmou, na manhã desta segunda-feira (4), a aquisição do GitHub, startup norte-americana que guarda milhões de códigos-fontes de softwares, de desenvolvedores independentes a grandes empresas. O valor do negócio é de US$ 7,5 bilhões, a ser pago em ações da própria Microsoft.

O GitHub é o serviço mais popular de “Git”, um sistema de controle de versões de software. Ele permite que alguém publique e compartilhe um código-fonte, as “instruções” que fazem um aplicativo, site ou sistema informático funcionar, e, em seguida, passa a receber contribuições de terceiros e mantém um histórico das alterações, facilitando a recuperação de qualquer versão anterior sem muita dificuldade.

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Lançado em 2008 e atualmente com 28 milhões de usuários, o GitHub é o maior repositório de códigos do mundo. A aquisição pela Microsoft é vista como estratégica por players da indústria. Com ela, a Microsoft ganha mais um canal de relacionamento direto com desenvolvedores ativos do mundo inteiro — inclusive de empresas rivais, como o Google, que também hospedam código no GitHub. Peter Levine, da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, que investiu US$ 100 milhões no GitHub em 2012, vê a combinação de forças como “poderosa” e “uma incrível oportunidade”.

O movimento causou surpresa, em grande parte, pela relação histórica da Microsoft com projetos de código aberto, um aspecto forte na cultura criada em torno do GitHub. A dona do Windows sempre tem, em suas origens e até recentemente, um apreço elevado pelo software proprietário (de código fechado, inacessível a terceiros) e por muito tempo antagonizou a computação pessoal e corporativa com o Linux, sistema operacional rival que abraça o desenvolvimento aberto, com o código disponível a qualquer um para modificação e redistribuição, tudo gratuitamente.

Em 2004, no ápice do atrito com a comunidade de software livre, o então CEO da Microsoft, Steve Ballmer, chegou a afirmar que o Linux era um “câncer”. Nos anos que se seguiram, especialmente após a troca de comando, quando Ballmer passou o bastão para o indiano Satya Nadella, a relação da empresa com o software livre mudou. Nadella diminuiu a relevância do Windows para a saúde financeira e o futuro da Microsoft e passou a oferecer suporte a plataformas rivais. Em outubro de 2014, o atual CEo da Microsoft disse, em um evento de computação na nuvem em São Francisco, que “a Microsoft ama o Linux”.

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A aposta se pagou. No final de maio, a Microsoft ultrapassou a Alphabet (holding dona do Google) em valor de mercado e passou a ser a terceira maior empresa do planeta, atrás apenas da Amazon e da Apple. Seu valor de mercado na manhã desta segunda era de pouco mais de US$ 777 bilhões.

Três anos, porém, parece pouco tempo para o controle de danos de Nadella curar todas as feridas de décadas de desprezo da Microsoft pelo software livre. Após a Bloomberg antecipar, no domingo (3), a notícia da aquisição, serviços rivais viram um aumento expressivo no volume de projetos importados do GitHub.

Anil Dash, CEO do Glitch, disse pelo Twitter que o volume de importações vindas do GitHub dobrou em relação à média histórica do domingo. Também pela rede social, o GitLab anunciou um aumento de dez vezes no volume de importações do GitHub. Para receber os novos “imigrantes”, o GitLab está oferecendo um desconto de 75% em seus planos pagos.

Esta é a segunda grande aquisição que a Microsoft faz sob o comando de Satya Nadella. A outra, da rede social LinkedIn, custou à empresa US$ 26,2 bilhões em junho de 2016. Ambas alcançam um público especializado que, filosofias de desenvolvimento à parte, sempre foi prioritário à empresa — o de desenvolvedores, gente que escreve os aplicativos e outros softwares que dão vida a todo o aparato digital cada vez mais presente na vida de todos.

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