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Nova leva de cabos submarinos aumenta conexão do Brasil com outros países

Os cabos submarinos são responsáveis por 99% das comunicações transoceânicas. Por aqui, novos cabos ligam o país a África, Estados Unidos, Argentina, Uruguai e outros países

  • Flávia Silveira
  • especial para a Gazeta do Povo
Instalação do cabo Monet, que conecta o Brasil aos Estados Unidos |
Instalação do cabo Monet, que conecta o Brasil aos Estados Unidos
 
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Para além dos emaranhados de fios que vemos todos os dias conectados a computadores domésticos, os sistemas de telecomunicação e de transferência de dados dependem de estruturas submersas gigantescas, que conectam todo o mundo. Estes cabos submarinos tornam possível que você converse, envie mensagens e faça teleconferências com quem está em outro canto do mundo como se a pessoa estivesse ali, na sala ao lado.

No Brasil, boa parte dos cabos submarinos em funcionamento foram construídos no início dos anos 2000. Mas uma nova leva de cabos está chegando aqui, para conectar a outros países e continentes, além da modernização destes já existentes. Um deles é o cabo Monet, concluído no final de 2017 e que começou a operar no início de 2018.

No mundo todo, os cabos submarinos são os responsáveis por 99% das comunicações transoceânicas, de acordo com o livro The Undersea Network, de Nicole Starosielski, professora da Universidade de Nova York. “Hoje, 80% do uso dos cabos é para Internet. Quando acessamos um site de outro país, que não possui um servidor aqui, são eles que fazem a transmissão”, explica Eduardo Tude, presidente da Teleco, consultoria especializada em telecomunicações.

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Resultado de uma parceria entre Angola Cables, Google, Algar Telecom e Antel (empresa de Telecom uruguaia), o cabo Monet sai de Praia Grande, em Santos, vai até Fortaleza, no Ceará, e chega à Boca Ratón, em Miami, Estados Unidos. Com mais de 10 mil quilômetros de extensão, ele possui capacidade total de 64 terabytes, que foi dividida entre os sócios proporcionalmente ao investimento feito por cada um. “A parceria visa o compartilhamento da estrutura. Cada um faz sua operação com suas próprias equipes. Dividimos os custos da infraestrutura e as estações terrenas”, conta Luiz Felippe de Abreu, diretor nacional de atacado da Algar Telecom. É na estação terrena que o cabo submarino chega quando entre no continente e dela o sinal parte até os usuários finais.

A brasileira Algar Telecom abocanhou 10Tbps dos 64Tbps do Monet. Agora, ela pode decidir o que fazer com esta fatia: vender para outras empresas de telecomunicação ou fazer uso para sua própria rede. Recentemente, ela fez sua primeira venda à uma empresa internacional, cujo nome não pode ser revelado por questões contratuais. Vendeu 10Gb, dentro da expectativa que a empresa tinha para este primeiro ano. A preocupação, nestes primeiros momentos, era aprender a operar um cabo submarino, uma vez que este é o primeiro próprio da companhia, que até então contratava a capacidade de terceiros. “Consideramos uma boa venda. A mesma empresa já está nos consultando para compra de mais capacidade”, revela Abreu.

Por enquanto, o plano da Algar é comercializar metade e utilizar a outra para sua rede de dados de celular, banda larga e demais serviços. Mas isso pode mudar ao longo do tempo – o cabo tem vida útil estimada em 25 anos – a depender do crescimento do tráfego. Isso porque, segundo Abreu, muitas empresas de outros países estão interessadas em trazer seus servidores para dentro do Brasil, criando data centers locais.

Para Tude, porém, o interesse final continua sendo chegar aos EUA. “Lá estão os principais servidores do mundo. Temos novos cabos saindo da África e vindo até o Brasil, mas o objetivo final ainda é chegar aos EUA”, conta Tude.

Foco no futuro: a venda da solução completa

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Cabo Monet: conecta Praia Grande (RJ) a Boca Ratón (Flórida)

A venda da capacidade é um serviço de telecomunicações que o setor costuma chamar de conectividade internacional. Quem contrata, geralmente são empresas que não possuem os cabos próprios, ou seja, a grande maioria. “Hoje estamos num seleto mercado de operadores capazes de vender capacidade. Mas o que vislumbramos é a venda de soluções completas para operadoras internacionais que vem no Brasil oportunidade de crescimento e querem vir para cá atender seus clientes”, diz o diretor.

Para exemplificar: uma empresa com base na Flórida, com clientes no Brasil, compra uma parte da capacidade do cabo submarino. Quando o cabo desemboca na Praia Grande, ela precisa das estruturas terrestres para alcançar seus clientes espalhados pelo território brasileiro. Entram aí as redes de fibras óticas terrestres e demais tecnologias, como redes de backbone e de acesso. É neste ponto que a Algar quer focar.

A expectativa é boa. Segundo Abreu, dos dez maiores clientes da carteira de atacado da Algar, quatro são empresas multinacionais de grande porte e duas de médio porte, com importante peso no faturamento da companhia. “Queremos entregar soluções completas a estas empresas que acreditam no Brasil e que querem aumentar sua participação por aqui, e o interesse tem sido crescente”, conta.

Além desta expectativa,a necessidade de expandir seus negócios no território nacional, principalmente na região Nordeste, foi decisiva para a Algar entrar nessa parceria. Seria possível chegar apenas pela via terrestre? Sim. Mas Abreu diz que foi uma opção para garantir a qualidade dos serviços prestados e também para que, ao chegar em uma nova praça, operem com segurança e tranquilidade de que havendo falhas em uma das vias, existe a outra.

Abreu não revelou quanto a Algar investiu no Monet, mas há informações de que seriam mais de US$ 60 milhões de dólares. A Antel investiu US$ 73 milhões e a Google, US$ 250 milhões.

Outros novos cabos

Além do Monet, outros cabos já foram concluídos nos últimos dois anos ou estão em fase final de construção, aqui no Brasil.

O Seabras-1 opera desde 2017 com capacidade de 72Tbps, ligando São Paulo a Nova York . O cabo é de propriedade conjunta das americanas Seaborn Networks e Partners Group, com foco em atender o mercado financeiro.

Mais recentemente, em setembro de 2018, foi ativado o SACS (Sistema de Cabos Submarinos do Sul do Atlântico), ligando Luanda, na Angola, a Fortaleza. A Angola Cables também está por trás deste projeto, em parceria com a NEC Corporation, responsável pela fabricação e instalação. Este cabo visa atender provedores de internet, empresas multinacionais e agências estatais, como a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa do Brasil (RNP) e o Centro de Pesquisas de Miami, nos Estados Unidos. A capacidade de transmissão é de 40Tbps.

Um pouco antes do SACS, em agosto de 2018, o consórcio South Atlantic Inter Link (SAIL) concluiu a instalação de seu cabo submarino, ligando Kribi, nos Camarões, e Fortaleza. Sua capacidade chega a 32Tbps, com objetivo de atender demandas do emergente mercado de telecomunicações da América Latina e da África. O investimento partiu da China Unicom, com sua subsidiário brasileira, e da CAMTEL, provedora estatal de telecomunicações dos Camarões. O projeto foi realizado pela Huawei Marine Networks, fornecedora global e cabos submarinos.

Em junho deste ano, a Google anunciou que, até o final de 2018, entrariam em operação outros dois cabos submarinos no Brasil: Tannat e Júnio. O primeiro é um ramal do Monet com 2 mil quilômetros de extensão, ligando o estado de São Paulo a Maldonado, no Uruguai, e com capacidade estimada em 90Tbps. A parceria foi feita com a operadora uruguaia Antel.

Já o Júnior é um cabo mais curto e voltado para atender o mercado brasileiro, ligando Praia Grande ao Rio de Janeiro, também funcionando interligado ao Monet, e com operação exclusiva da Google.

Há ainda o BRUSA, de propriedade da americana Telxius Telecom, com 138Tbps de capacidade, conectando o Brasil a Porto Rico e ao estado da Virgínia, nos EUA. Já o ARBR, da Telecom Argentina e da Seaborn Networks, ligará o Brasil à Argentina e deve ser concluído em 2019.

Conexão mais barata

Segundo Tude, um dos efeitos da construção de todos estes novos cabos submarinos passando por aqui é a queda nos preços nas conexões entre o Brasil e os Estados Unidos. “Como possuem uma capacidade muito superior à dos cabos mais antigos, a oferta é muito maior. Se comparássemos, antigamente, o que se pagava pela conexão Brasil-Estados Unidos e Londres-Estados Unidos, no Brasil pagávamos 16 vezes mais. Agora, a diferença caiu para cinco vezes”, conta.

Se a queda de preço irá de encontro à expectativa da Algar, de estimular a vinda de servidores internacionais para o Brasil, serão cenas que veremos nos próximos capítulos, quando todos estes novos cabos estiverem operando em sua totalidade.

Neste mapa interativo da consultoria Telegeography é possível visualizar os cabos submarinos em operação em todo mundo: https://www.submarinecablemap.com/#/

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