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Remédios

O desafio das farmacêuticas

Estudo aponta que as grandes fabricantes de medicamentos crescem pouco nos mercados emergentes, o mais promissor para a indústria

Alemã manipula medicamento em laboratório europeu: em 2011, China venderá mais do que França e Alemanha juntas | Michael Latz/AFP
Alemã manipula medicamento em laboratório europeu: em 2011, China venderá mais do que França e Alemanha juntas (Foto: Michael Latz/AFP)

Os principais fabricantes da indústria farmacêutica precisam ser ágeis para se adaptar à nova ordem mundial, onde alguns mercados emergentes estão prontos para ultrapassar mercados tradicionais nas vendas de produtos farmacêuticos, conforme aponta um relatório divulgado na última terça-feira.

No ano que vem, prevê o relatório, as vendas de medicamentos na China serão maiores do que na França e Alemanha, enquanto o Brasil estará comprando mais remédios que a Grã-Bretanha. O relatório foi realizado pela IMS Health, empresa de pesquisa com sede em Norwalk, Connecticut, que monitora prescrições médicas e outros dados de venda de medicamentos. Se as marcas líderes do setor farmacêutico não fizerem algo mais significativo para crescer nestes mercados emergentes, elas irão perder para as marcas locais, aponta o relatório.

O crescimento anual das farmacêuticas em mercados maduros como o dos Estados Unidos e da Europa Ocidental caiu para números de apenas um dígito nos últimos oito anos. Tal desaceleração é resultado da crise econômica mundial, mas também se deve à expiração de patentes de uma variedade de remédios (o que permitiu o crescimento do mercado de genéricos), redução dos investimentos em biotecnologia e restrições governamentais maiores ao mercado farmacêutico, aponta o relatório.

O mercado nos EUA registrou vendas de US$ 300 bilhões no ano passado, com uma taxa de crescimento de 5%. Entretanto, mesmo que o Congresso aprove a nova legislação para o sistema de saúde, que, de acordo com um recente relatório do Credit Suisse, poderia aumentar a venda de medicamentos em US$ 10,7 bilhões, o impacto na taxa de crescimento seria mínimo.

Em situação contrária, de acordo com a IMS, 17 países em mercados emergentes apresentam crescimento significativo em vendas. O relatório agrupou os países, que a IMS chama de "mercados farmacêuticos emergentes", em três grupos de ordem decrescente, de acordo com o crescimento do valor de mercado. A China, sozinha, fica no primeiro grupo. O segundo grupo inclui Brasil, Rússia e Índia, enquanto o terceiro agrupa Venezuela, Polônia, Argentina, Turquia e México.

No ano passado, estes países representaram US$ 123 bilhões (cerca de 16%) dos US$ 770 bilhões das vendas mundiais de medicamentos, de acordo com a IMS. As vendas do mercado emergente representaram 37% do crescimento da indústria.

Ainda de acordo com o relatório, espera-se que até 2013 esses mesmos países engrossem as vendas em US$ 90 bilhões, representando 48% do crescimento da indústria. De forma geral, os mercados emergentes irão representar cerca de 21% da venda total de medicamentos em 2013.

O relatório estima que a China, a líder em vendas de medicamentos entre os países emergentes, pode chegar a ter US$ 40 bilhões em vendas adicionais em 2013. "Estas economias periféricas estão acumulando força para virar a mesa da ordem mundial estabelecida na indústria farmacêutica", declarou o relatório.

Certamente, mercados desenvolvidos como os EUA e o Japão ainda representam a maior fatia das vendas de produtos farmacêuticos. O relatório incentiva os principais fabricantes de medicamentos para que sejam mais ágeis e capitalizem em mercados emergentes de grande crescimento, onde já encontram concorrência de fabricantes domésticos com marcas bem estabelecidas e tradicionais.

Poucos fabricantes europeus, entre eles a Novartis, Sanofi-Aventis e GlaxoSmithKline, estão se adiantando e adquirindo empresas locais ou incrementando suas parcerias regionais nesses países – ou fazendo grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento em mercados em fase de maturação.

Entretanto, no geral, os fabricantes líderes estão com performances abaixo do esperado em mercados emergentes. As 15 maiores empresas farmacêuticas, incluindo a Pfizer, Merck e Eli Lilly, juntas, possuem menos de 10% de suas vendas totais originadas em mercados emergentes, de acordo com a IMS.

A fim de estabelecer negócios prósperos nestes países, os fabricantes devem adequar suas abordagens às dinâmicas específicas e desafios de cada mercado, conforme apontou Murray Aitken, vice-presidente sênior da IMS. Alguns mercados emergentes para as empresas farmacêuticas foram especialmente afetados pela atual crise econômica mundial, afirmou. "Na Romênia, a situação está um pouco feia. A Turquia vai mal das pernas. Boas vindas às novas realidades dos negócios nestes tipos de ambientes", finalizou.

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