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Paulo Cesar entrou na Volvo com ensino médio, mas agora já tem especialização | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
Paulo Cesar entrou na Volvo com ensino médio, mas agora já tem especialização| Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo

Homens ganham até 51% mais que mulheres

Além da escolaridade, o sexo do empregado também influencia na remuneração. Os homens chegam a ganhar até 51% mais que as mulheres no Paraná. O levantamento mostra que os homens ainda são maioria no mercado de trabalho e ainda são poucos os setores com predominância feminina.

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  • Confira pesquisa do IBGE, que mostra as diferenças que há entre os salários pagos

O nível de escolaridade é, cada vez mais, o principal fator determinante do salário no mercado de trabalho – um funcionário com curso superior recebe em média 227% mais que aquele que não tem diploma universitário em uma empresa no Paraná, segundo dados do Cadastro Central de Empresas 2009 (Cempre) divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A diferença mais significativa é na indústria, onde os empregados com nível superior recebem até 333% mais – a média salarial de quem concluiu o ensino universitário é de 9,6 salários mínimos, contra 1,9 salário mínimo dos demais. O comércio é a atividade onde o diploma conta menos, mas, ainda assim, a diferença salarial é expressiva: 169%. "Mais do que o sexo, embora existam ainda diferenças importantes de remuneração entre homens e mulheres, o que determina salários maiores é a escolaridade do empregado", diz Denise Guichard Freire, gerente de análise do Cempre.

Minoria

Funcionários com nível superior, contudo, ainda são minoria no Paraná. Dos cerca de 1,9 milhão de empregados assalariados em empresas, 91% não tinham ensino superior em 2009, segundo o IBGE. "Esse resultado está diretamente relacionado à distribuição de renda no país e também à oferta de mão de obra. É claro que, se existe uma oferta mais reduzida de pessoas com nível superior, a diferença para a grande massa de trabalhadores com menor escolaridade será maior", afirma Christian Luiz Silva, professor de Economia da UTFPR.

Em termos nacionais, a desigualdade se repete. Em média, a diferença é de 225% entre os salários dos que têm e dos que não têm diploma. De um montante de 40,2 milhões de trabalhadores assalariados, 33,6 milhões não tinham nível superior (83,5%), contra apenas 6,6 milhões de pessoas com curso superior (16,5%). No entanto, a fatia de trabalhadores que concluíram a faculdade concentrou R$ 310,6 bilhões, ou 39,7% da massa salarial brasileira.

Setores

"As diferenças salariais são muito significativas em todos os setores da atividade econômica, mas principalmente na indústria, muito mais do que no comércio", afirma Denise. O setor financeiro e de seguros é o que paga melhor entre as diversas atividades econômicas, justamente porque é também o que tem mais da metade dos seus empregados com ensino superior. Em segundo lugar vem o setor de educação, com uma proporção de 48,5% de profissionais com ensino superior, seguido pela administração pública (41,4%). Na direção contrária, apresentaram baixos níveis de empregados com formação superior as atividades de alojamento e alimentação (2,6%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (2,9%).

O levantamento do IBGE também mostra os reflexos da crise econômica sobre o emprego. O Rio Grande do Sul, um dos estados em que a indústria de transformação mais sofreu os efeitos da turbulência econômica, perdeu para o Paraná o posto de quarto lugar na geração de empregos assalariados em empresas. "A mudança foi provocada muito mais pelas dificuldades e pela queda no ritmo de geração de vagas do Rio Grande do Sul do que por um avanço do Paraná. O estado simplesmente manteve a média de geração de 100 mil, 120 mil novas vagas por ano, enquanto o Rio Grande do Sul gerou apenas 50 mil", diz Denise Guichard Freire.

"O Paraná possui uma forte agroindústria, que teve um bom desempenho nos últimos anos. Além disso, o setor público diminuiu a terceirização e contratou mais trabalhadores, o que aumentou o número de pessoas assalariadas", diz Cid Cordeiro, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeco­nômicos (Dieese) no Paraná.

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Empresa dá incentivos para empregado que busca faculdade

O coordenador de manufatura Paulo Cesar Candido recebe hoje, em média, 60% mais do que quando começou sua carreira na Volvo e tinha apenas o ensino médio. "Entrei na empresa em 1988 como controlador de materiais. Fiquei dez anos na mesma função, até que em um feedback com o meu chefe ele me incentivou a voltar a estudar, e aí não parei mais", afirma. Além de fazer uma faculdade de Estudos Sociais, ele fez uma especialização em História do Brasil e, há quatro anos, um MBA de Gestão de Pessoas. A empresa bancou parte dos estudos e ele conseguiu ser promovido, primeiro para assistente de logística, e, mais recentemente, para coordenador de manufatura.

Segundo Candido, o salário aumentou, mas outros benefícios importantes vieram com os estudos. "Passei a me desenvolver melhor, a ter uma visão mais do todo, aprimorei a forma de me comunicar e passei a entender melhor os processos internos", afirma. Candido diz que uma conjunção de fatores – o casamento cedo e o nascimento do filho – fizeram com que ele adiasse a faculdade. "Também houve um certo comodismo. Achava que aquela função era suficiente. Mas hoje sou a prova de que o estudo vale a pena. Tenho uma visão do mundo mais apurada, tenho mais autocrítica", diz. O próximo passo é fazer um mestrado, projeto que deve ser tocado dentro de um a dois anos. "O mercado de trabalho está muito aquecido e temos muitas oportunidades de crescimento", afirma.

Douglas José dos Santos, 42 anos, começou a trabalhar na New Holland há 26 anos, enquanto ainda cursava o ensino médio e um curso técnico. Depois de passar por vários departamentos dentro da empresa, Santos havia chegado ao limite salarial e profissional que sua escolaridade permitia. Em 2005 ele entrou na faculdade, no curso de Administração de Empresas com Ênfase em Logística, e viu as portas se abrirem na empresa. "De imediato meu salário dobrou. Hoje sei que posso triplicar ou quadruplicar minha renda em relação ao que ganhava como técnico, porque tenho várias oportunidades de crescimento profissional e a empresa acredita na minha capacidade de expansão. Já viajei para o exterior e sei que isso é um reflexo da minha graduação. Estava limitado e agora posso crescer ainda mais", afirma o especialista de marketing de produtos.

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