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O dragão invade o zoológico

Forte alta do custo dos alimentos desafia o zoo de Curitiba, que tem orçamento fixo para alimentar seus mais de 1,4 mil habitantes

  • Alexandre Costa Nascimento
Servir a mesma comida de formas variadas quebra a rotina e evita que os animais enjoem do cardápio |
Servir a mesma comida de formas variadas quebra a rotina e evita que os animais enjoem do cardápio
 
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O dragão invade o zoológico

Se o aumento acumulado de 14,5% no preço da carne neste ano já é capaz de tirar o sono de um pai de família preocupado em colocar quatro bifes na mesa todos os dias, imagine quem precisa alimentar uma família com um apetite insaciável, capaz de consumir mais de dez quilos de carne por dia. Num ano em que o preço dos alimentos acumula alta de 6,6%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação tornou-se um desafio para o Zoológico de Curitiba, que precisa manter a quantidade e a qualidade da dieta dos seus mais de 1,4 habitantes, incluindo leões, tigres e os gulosos hipopótamos.

O orçamento mensal do zoo para a compra de alimentos é de R$ 120 mil mensais – R$ 1,44 milhão ao ano –, incluindo carnes, pescado, frango, frutas e verduras. Tudo calculado em toneladas. Além da carne, base alimentar dos grandes felinos, outros itens que compõem o cardápio dos bichos sofreram altas expressivas, como a abóbora, usada na dieta de ursos, macacos e cervos, que subiu mais de 60% desde o começo deste ano; ou a banana, iguaria da macacada, com alta de 10,4%.

Para aplacar o apetite do dragão inflacionário, a prefeitura de Curitiba faz três orçamentos do preço destes alimentos no atacado e, estipulando o preço médio, indica a quantidade do produto que precisa adquirir. Este preço, então, serve como teto para a licitação na modalidade pregão eletrônico, em que vence o fornecedor disposto a oferecer aquela quantidade do produto com o maior desconto em relação ao preço inicial.

“Como os volumes são grandes, o interesse em fornecer para o município também é grande e os preços ficam competitivos”, explica o diretor do Departamento de Pesquisa e Conservação da Fauna [antigo Departamento de Zoo­lógicos de Curitiba], Marcos Traad. Para se ter uma ideia, mensalmente os animais do zoo consomem 1 tonelada de dianteiro bovino, 8 toneladas de banana, 1,5 tonelada de cenouras e 7,2 mil ovos.

Segundo Traad, o sistema de pregão eletrônico permite uma economia e garante o cardápio da bicharada. Mas ele reconhece que, por causa da inflação, o deságio médio neste ano está ligeiramente menor que a média de 2009, sem, no entanto, especificar a variação. Ainda assim, garante o diretor, nada de carne de segunda para os leões ou banana podre para os chimpanzés. “A dieta dos animais tem de manter um critério de volume e de qualidade. Não deixamos de adquirir os alimentos ou diminuímos a qualidade dos produtos em função da flutuação dos preços. Tudo é comprado fresco e com qualidade, como se fosse para consumo humano.”

O veterinário Marcelo Bonat, responsável pelo departamento de alimentação do zoo, explica que a elevação no preço das commodities agrícolas também impactou o preço das rações à base de soja, milho ou aveia, base da dieta de diversas espécies como as araras, papagaios, girafas e cervos. “Mesmo assim existem fornecedores dispostos a oferecer produtos com qualidade e no menor preço da concorrência”, afirma.

Acepipes

Há 15 anos no zoológico, o veterinário Manoel Lucas Javorouski conta que, além da variedade, é preciso ser criativo no preparo dos alimentos para “quebrar a rotina” e surpreender os animais. O cardápio surpresa pode ser um apetitoso coelho, doado pelo Centro de Produção e Pesquisa de Imunobiológicos (CPPI) para os carnívoros, uma abóbora recheada com mel para os ursos ou mesmo uma porção de camarão para o mão-pelada (guaxinim).

“Imagine uma pessoa comendo comprimidos de astronautas todos os dias. Em tese ela está nutrida, mas não necessariamente satisfeita. Essa é uma preocupação que devemos ter com os animais”, explica Javorouski. A forma como o alimento é servido já ajuda o animal a não enjoar. “A banana para os chimpanzés pode ir um dia inteira com a casca, outro dia descascada e no outro cortada em rodelas. A simples curiosidade já o estimula a comer.”

Os animais doentes ou em tratamento podem ser alimentados com suplementos industrializados de uso veterinário ou mesmo humano, como papinhas de neném, Sustagem ou Neston. Um filhote de lontra, por exemplo, foi amamentado com um composto de leite em pó específico para gatos domésticos e sobreviveu.

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