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O e-reader iguala a sensação do papel?

São Paulo - A tela agora é maior e pode ser girada, facilitando a leitura, mas o Kindle continua a mostrar fotos em preto-e-branco e a ser mais voltado para textos. Com essas melhorias e limitações, será que já consegue reproduzir a mesma sensação visual e tátil de folhear um livro ou jornal? Para a maioria dos designers, ainda não. Mas, no futuro, aponta para colocar um ingrediente multimídia em obras antes mais estáticas.

João Batista da Costa Aguiar é responsável por capas de livros para editoras como Companhia das Letras e Objetiva. Para ele, além da questão de não se saber mais qual livro as pessoas leem, quando a capa física se perde fica mais difícil ser surpreendido por um livro.

"As capas são feitas para chamar a atenção nas livrarias. Uma capa legal pode fazer você comprar um livro que nunca havia imaginado. Comprar digitalmente uma obra não é a mesma coisa. A capa não chama a mesma atenção", diz. "Além disso, no livro, há a sensação tátil, o cheiro de tinta. Quem gosta de livros vai sempre comprar livros", assegura.

Elaine Ramos, diretora de arte da Cosac Naify, uma das editoras brasileiras mais caprichosas no quesito design, não é tão enfática. Ela afirma que, hoje, aparelhos como o Kindle ainda têm limitações que colocam o livro impresso na dianteira em possibilidades gráficas, embora não diga que um seja melhor que o outro. Porém, acredita que no futuro o e-reader trará mais possibilidades.

"Acredito que será possível, por exemplo, ter trechos de filmes nos livros, o que não dá no impresso", diz. Seria como nos filmes da série Harry Potter, em que as imagens apresentadas no jorna de Hogwarts reproduzem a ação real. "O papel é mais perene, seja por uma questão de custos ou ecologia. O livro impresso deve ficar para um nicho", opina Elaine.

Na área jornalística, um dos focos do Kindle nesta nova versão, as questões gráfica e tátil também trazem ressalvas. Para o editor de arte de "O Estado de S. Paulo", Fábio Sales, isso se traduz em diagramação e hierarquização – no papel, as notícias mais importantes vão no alto, para o leitor saber o que é mais relevante. "Com o bombardeio cada vez maior das pessoas à publicidade, o design gráfico tornou-se fundamental. Os jornais usam cada vez mais infográficos. E tanto a hierarquização como os gráficos se perdem neste tipo de aparelho. Mas acredito que essas questões serão resolvidas."

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