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Política monetária

O Fed e a economia abaixo de zero

Após cortar os juros para menos de 0,25% ao ano, o banco central dos EUA fica obrigado a inverter uma de suas funções básicas: ao invés de conter a inflação, terá de assegurar o aumento de preços e, assim, evitar mais recessão

  • PorGuido Orgis
  • 01/01/2009 21:20
Ben Bernanke, presidente do Fed: esforço atual é quase igual a usar helicópteros para jogar dinheiro no mercado | LarryDowning/Reuters
Ben Bernanke, presidente do Fed: esforço atual é quase igual a usar helicópteros para jogar dinheiro no mercado| Foto: LarryDowning/Reuters

Quando o assunto é juro, Brasil é o mais teimoso

Ao mesmo tempo em que o Fed deu um passo histórico ao derrubar seu juro para perto de zero, o Banco Central do Brasil decidiu manter a Selic, a taxa básica brasileira, em 13,75% ao ano. Com isso, o BC foi contra um movimento que é majoritário no cenário econômico mundial.

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  • Veja a variação da taxa de juros nos Estadis Unidos

Nos últimos 30 anos, desde que o Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) subiu drasticamente os juros para conter a inflação que acompanhou os choques do petróleo da década de 70, a função de uma autoridade monetária esteve ligada a expressões como austeridade, discrição e, claro, controle de preços. Ao baixar em dezembro sua taxa básica para uma banda entre 0% e 0,25%, o Fed deixou esse ambiente de paz e ordem, no qual os bancos centrais funcionam, para entrar em uma espécie de "mundo bizarro" – aquele em que, nos desenhos animados, tudo está ao contrário. Nesse cenário, ele passou a ter menos poderes e deve usar soluções incomuns.

O nome do enrosco no qual Ben Bernanke, presidente do Fed, se meteu é "armadilha de liquidez". O termo descreve uma situação em que a política monetária tradicional, que usa os juros para oferecer ou retirar dinheiro do mercado, não funciona. A taxa básica pode ir a zero, como ocorre agora, e mesmo assim as pessoas e os bancos preferem ficar com títulos do governo, ou dinheiro vivo, nas mãos em vez de correr o risco de investir em ativos reais. Outra característica dessa armadilha é que ela ocorre em momentos de inflação em queda. Assim, os juros reais (aqueles em que se leva em conta a variação de preços), ao invés de negativos como desejaria o Fed, podem até ficar positivos.

Em uma economia normal, a redução da taxa básica levaria à seguinte reação: os bancos baixariam o custo dos empréstimos e o dinheiro iria para atividades produtivas ou para o consumo. O crescimento voltaria e a inflação também. Só que em uma armadilha de liquidez, isso não acontece e há o risco de ocorrer deflação, ou seja, os preços em média ficam mais baixos e o dinheiro com o tempo vale mais. Ao perceber que ganham com o dinheiro parado, as pessoas teriam menos incentivos para gastar ou investir, o que levaria a uma nova rodada de retração econômica.

Exemplo japonês

A última grande economia a passar por isso foi o Japão, nos anos 90. O período, que coincidentemente começou com uma bolha imobiliária acompanhada por buracos no sistema bancário, ficou conhecido como a "década perdida". Algo similar nos EUA seria o pior cenário possível para a economia global. Sem a demanda americana, a recessão mundial seria mais longa e dura. "A diferença é que o japonês tem uma cultura de poupança que o americano não tem. Assim, é mais fácil estimular a economia dos Estados Unidos", compara o economista Robson Ribeiro Gonçalves, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Loucura

Após a decisão do Fed, Paul Krugman, o prêmio Nobel de economia deste ano, sugeriu em seu blog que o banco central norte-americano precisa tomar uma atitude que há um ano seria tachada como loucura: comprometer-se com a inflação. Ben Bernanke precisa, segundo Krugman, fazer com que o mundo financeiro acredite que haverá inflação e que ficar com o dinheiro parado é um mau negócio. Ironicamente, o presidente do Fed foi ridicularizado por alguns acadêmicos em 2002, quando, ao usar uma figura de linguagem, disse que em casos de armadilha de liquidez a autoridade monetária poderia até "usar helicópteros para jogar dinheiro no mercado". É quase isso que ele deve fazer agora.

"Trata-se de um caso em que o banco central lidera a expansão dos gastos públicos. Ele vai comprar títulos de longo prazo para baixar também essas taxas e, se necessário, vai autorizar o Tesouro a imprimir mais dinheiro", explica o economista Fernando Ferrari Filho, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e presidente da Associação Keynesiana Brasileira (AKB). Mais dólares serão jogados na economia através da compra de títulos podres do setor imobiliário, aquisição de participação em bancos em dificuldade, e ajuda a empresas com problemas.

Intervencionismo

Com tanta intervenção, a cada dia o Fed se parece mais com um bancão estatal que empresta para qualquer um, sem muita preocupação de quando vai receber de volta. "Ninguém mais quer correr o risco de emprestar para o setor privado. Só há liquidez para o governo", destaca o economista André Paes, diretor da Infinity Asset Management. "Nesse processo há uma onda de estatização que coloca um ponto final na teoria de que os mercados devem se autorregular."

Enquanto tenta evitar uma espiral deflacionária, que faria a recessão se alongar, o Fed contará com uma mão do presidente eleito Barack Obama, que está montando um plano de investir US$ 800 bilhões em infraestrutura. Mas que não se interprete esse como o colapso da iniciativa privada. No fim do túnel, a esperança de Ben Bernanke é a de que empresas e consumidores voltarão a investir e comprar e, então, o governo gastará menos para que não haja inflação.

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