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O Positivo Alfa, com a estilosa capa de couro: produto eficiente, mas que sofre com a confusão do público entre e-readers e tablets | Albari Rosa/ Gazeta do Povo
O Positivo Alfa, com a estilosa capa de couro: produto eficiente, mas que sofre com a confusão do público entre e-readers e tablets| Foto: Albari Rosa/ Gazeta do Povo

Biblioteca

Como é o Positivo Alfa, e-reader com acesso à internet via wi-fi.

Tela de 6 polegadas.

Capacidade de armazenamento de 2 gigabytes (expansível até 16 gigas, com o uso de cartão micro SD).

Sensor de movimento (pode ser travado, para não atrapalhar a leitura).

Teclado virtual para digitar endereços na web, fazer marcações ou anotações nos livros.

Porta USB para transferência de dados.

Ajuste do tamanho da letra

Dicionário Aurélio incluído, com busca direta no texto.

Formatos de arquivos suportados: ePub, PDF, html e txt. Suporta Digital Rights Management (DRM).

Peso: 240 gramas.

Preço: R$ 799, com garantia de um ano.

Os leitores de livros eletrônicos (e-readers) chegaram ao Brasil no momento errado. Tivessem vindo dois ou três anos antes – junto com o Kindle, cuja primeira geração deu as caras no mercado dos EUA em novembro de 2007 –, teriam tido melhor sorte.

O líder entre os e-readers no mercado brasileiro é o Positivo Alfa, que acaba de ganhar uma nova versão, com acesso à internet via wi-fi (o primeiro modelo se comunicava com o computador por meio de cabo USB, sem conexão com a rede). Com comandos simples e intuitivos, é um produto fácil de entender e de usar. A tela de 6 polegadas, sensível ao toque, é pouca coisa maior do que um livro de bolso. Mas basta sacá-lo em um lugar de maior movimento que vem algum curioso perguntar: "é um iPad?"

Como e-readers e tablets são novidades no mercado brasileiro, a confusão é natural. O problema, que pode até se tornar um empecilho para o crescimento desse nicho, é a expectativa que ela traz embutida. E-readers e tablets (categoria que inclui o iPad e outros, como o Samsung Galaxy Tab e concorrentes que ainda não chegaram ao Brasil) são semelhantes no formato, mas muito diferentes na estrutura e nas funções. Quem manipula um Alfa tendo na cabeça as possibilidades de um tablet tende a se decepcionar.

Não deveria, porque trata-se de um produto que cumpre muito bem o que se propõe. A começar pela tela de e-paper, a tinta eletrônica que distingue essa categoria de aparelho dos outros. Ela não emite luz, o que o diferencia dos leds e lcds que imperam por aí. Com isso, não cansa tanto os olhos e po­­de ser lida até debaixo de sol forte, sem reflexos. É realmente como se você estivesse lendo um livro.

Por outro lado, a transição entre as páginas é lenta, principalmente para quem está acostumado com a velocidade do scroll numa tela de computador. A experiência é completamente diferente – no Alfa, o leitor está num outro domínio, que pode até ser digital, mas está sujeita às mesmas leis dos livros de papel.

O novo Alfa tem acesso à internet, mas ela é puramente instrumental, voltada ao download de livros e documentos. A página de entrada, configurada pela Positivo Informática, leva diretamente aos portais das livrarias Saraiva e Cultura, para a compra de livros digitais. Segundo a empresa, outros sites devem ser incluídos na lista, à medida que fecharem acordos com a Positivo Informática. O internauta pode navegar por outros sites, mas não deve esperar velocidade – exibir conteúdos em Flash, então, nem pensar. Pode, por exemplo, visitar o www.dominiopublico.gov.br, portal do Ministério da Educa­­ção que dá acesso a obras gratuitas, ou o Projeto Gu­ten­­berg (www.gutenberg.org), site mantido por voluntários que reúne o texto integral de livros em domínio público. Foi pelo Pro­­jeto Gutenberg que a reportagem da Gazeta baixou O descobrimento da Austrália pelos portuguezes (sic), cuja imagem aparece na foto acima.

Dois pontos positivos chamam a atenção no Alfa. O primeiro é a presença do dicionário Aurélio completo, inclusive com as inclusões feitas na edição lançada em setembro deste ano. Para buscar uma palavra, basta acionar o ícone do dicionário e colocar o dedo sobre a palavra desejada. O dicionário reconhece flexões verbais e nominais. Como o Aurélio é publicado pela Editora Positivo e tem os direitos digitais nas mãos da Positivo Infor­­mática (que também produz um corretor ortográfico baseado no dicionário), fica tudo em casa. O segundo ponto positivo é a duração da bateria. Segundo o fabricante, ela suporta até 10 mil viradas de página (no teste feito pela reportagem, não conseguimos ir tão longe), com o wi-fi desligado.

O Alfa exibe documentos nos formatos ePub (formato aberto de livros digitais), PDF, txt e html. No caso dos PDFs, o resultado é bom. Depen­­dendo da forma como o arquivo foi diagramado originalmente, o aparelho consegue ampliar a fonte do texto, para torná-lo mais legível. Em alguns casos, entretanto, o recurso disponível é apenas o zoom sobre o texto. De qualquer forma, o leito reconhece o texto e permite consultas ao Aurélio. A capacidade de armazenamento do Alfa wi-fi é a mesma do modelo anterior: 2 gigabytes (GB), suficientes para uma biblioteca de até 1.500 livros. Uma entrada para cartão microSD permite am­­pliar isso para 16 GB.

O Alfa wi-fi está nas lojas, por um preço sugerido de R$ 799. Está aí uma fragilidade do produto, principalmente porque os preços dos livros digitais nas lojas brasileiras não estão tão baixos quanto se esperava. Quantos livros vai ser preciso comprar até que o investimento no e-reader se pague?

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